17/11/2021 11h00
Riscos à estabilidade financeira diminuem com retomada, diz BCE
O Banco Central Europeu (BCE) afirma, em seu relatório sobre estabilidade financeira de novembro, que os riscos nessa frente diminuÃram, com a recuperação econômica após o auge do choque da covid-19. Há vulnerabilidades à frente, porém, adverte o documento publicado nesta quarta-feira.
Na avaliação do BCE, há "crescentes vulnerabilidades" nos mercados imobiliários e as valorizações dos ativos financeiros estão "esticadas". Há ainda desafios potenciais à recuperação e a perspectiva inflacionária é outro risco, aponta, diante de dificuldades nas cadeias globais de produção e do avanço nos preços de energia.
O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, considera no documento que os riscos de taxas mais elevadas de defaults corporativos e perdas bancárias são agora "significativamente mais baixos que seis meses atrás". Mas ele nota que os riscos advindos da pandemia "não desapareceram por completo".
As empresas da zona do euro viram recuperação nos lucros no primeiro semestre de 2021, o que ajudou a manter o nÃvel de insolvência corporativa abaixo dos nÃveis pré-pandemia, diz o BCE. Houve, porém, alta nesse nÃvel nos setores mais afetados pela covid-19 e ele pode avançar mais, adverte.
O BCE destaca ainda problemas nas cadeias globais de produção e a alta recente em preços de energia, desafios à recuperação econômica e à perspectiva inflacionária. Nesse quadro, o banco central acredita que aumenta o risco de uma correção de preços em parte do setor imobiliário e nos mercados financeiros.
Entidades financeiras não bancárias, como fundos de investimentos, seguradoras e fundos de pensão, continuam a aumentar sua exposição a dÃvida corporativa com ratings mais baixos e podem enfrentar perda "substancial", caso as condições do setor corporativo piorem, diz o BCE. "Os fundos de investimento também seguem bastante expostos a riscos de liquidez."
Ainda para o BCE, as valorizações dos bancos da zona do euro retornaram aos nÃveis pré-pandemia. As perdas bancárias seguem baixas, embora algumas possam levar tempo para se materializar.
O banco central afirma ainda que polÃticas macroprudenciais mais estritas podem ajudar a lidar com crescentes vulnerabilidades, sobretudo nos mercados imobiliários de alguns paÃses. O BCE recomenda também a implementação total das reformas de Basileia III no setor financeiro e uma estrutura de polÃtica mais estrita para o setor financeiro não bancário.
Fonte: Estadão Conteúdo