01/04/2020 17h00
Saldo comercial recua 33,1% no primeiro trimestre
O saldo comercial brasileiro somou US$ 6,1% no primeiro trimestre, um recuo de 33,1%. Nesse perÃodo, as exportações caÃram 3,7% e as importações, 2,6%. O subsecretário de Inteligência e EstatÃsticas de Comércio Exterior, Hélio Brandão, atribuiu o desempenho do perÃodo ao desaquecimento da economia mundial, agravado pela pandemia de coronavÃrus.
"Entendemos que eventuais impactos especÃficos da covid-19 podem refletir principalmente em questões logÃsticas relacionadas ao fluxo das exportações", afirmou ele.
Segundo Brandão, produtos como soja, petróleo e minério de ferro não sofreram impactos logÃsticos. "Em algum momento, exportadores relataram preocupação com falta de contêineres para embarcarem seus produtos. Mas não tivemos confirmação de que isso ocorreu", completou.
De janeiro a março, há queda nas exportações de produtos da indústria da transformação (-9,8%), enquanto a agropecuária (+1,5%) e a extrativa (+9,5%) apresentam crescimento. Destaque para alta nas vendas de soja (+8,9%), enquanto houve queda (-515,1%) no milho.
Na indústria, os recuos mais significativos são de celulose (-32,1%), aeronaves (-22%) e veÃculos automotores (-16,1%).
Corrente de comércio
A corrente de comércio brasileira recuou 0,8% no primeiro trimestre, somando US$ 94,1 bilhões. O comércio exterior sofre os primeiros efeitos da pandemia mundial de coronavÃrus: as exportações caÃram 3,7% e as importações 1,9% no perÃodo.
De janeiro a março, a balança comercial teve saldo positivo de US$ 6,1 bilhões. Nesse perÃodo, a quantidade de bens exportados aumentou 1,9%, mas o preço caiu na mesma proporção. "O trimestre foi influenciado por comércio mundial pouco dinâmico, agravado por Covid-19".
No trimestre, as exportações brasileiras para a China cresceram 4,3%, com alta nas vendas de carne bovina, suÃna, minério de ferro, soja e algodão. Em março, no entanto, houve recuo nas vendas para a China (-3,2%) e para paÃses como Estados Unidos, União Europeia e Argentina. "A queda provavelmente é decorrente dos desdobramentos da pandemia mundial", complementa Brandão.
Ele ressaltou que uma queda brusca na demanda por produtos brasileiros pode demorar meses para se refletir nos dados das exportações. "Parte das mercadorias exportadas possuem contratos de fornecimento de longa duração. Além disso, as exportações são contabilizadas na saÃda da mercadoria do território nacional, e podem demorar 30 dias para chegar ao mercado de destino", completou.
O subsecretário destacou o crescimento das exportações brasileiras para Cingapura, que apresentou o maior crescimento entre os destinos das vendas brasileiras, principalmente de combustÃveis. "É provável que parte das exportações para outros mercados tenha sido redirecionada a Cingapura, devido a problemas logÃsticos decorrentes dos desdobramentos da Covid-19", completa.
Fonte: Estadão Conteúdo