07/11/2018 08h31
Salão do Automóvel abre as portas em clima de retomada
Num clima de otimismo com a perspectiva de crescimento da economia em 2019 e menos incertezas polÃticas com a eleição do novo presidente da República, as montadoras brasileiras abrem na quinta-feira, 8, ao público as portas do Salão do Automóvel com foco nos carros elétricos e hÃbridos e uma leva de novos utilitários-esportivos (SUVs), segmento que mais cresce em vendas no PaÃs e no mundo.
Anúncios feitos na terça-feira, 6, por várias marcas mostram que, de agora até 2021, o PaÃs terá, no mÃnimo, 20 modelos elétricos e hÃbridos à venda. A Nissan iniciou na terça-feira a pré-venda do elétrico Leaf, por R$ 178,4 mil, e a Renault começa quarta-feira, 7, a atender pedidos do Zoe, por R$ 149 mil.
Também já tem preço definido o Chevrolet Bolt, que chega ao PaÃs em 2019 a R$ 175 mil. Também anunciaram vendas de veÃculos eletrificados a Volkswagen (Golf GTE hÃbrido), Kia (Soul elétrico e Optima, Niro e Rio hÃbridos), Audi (e-Tron) e Toyota (Prius hÃbrido/flex).
A Honda terá três hÃbridos nos próximos anos (a serem definidos, mas uma possibilidade é o CR-V). A BMW tem um calendário para três modelos elétricos até 2021. Ford, Honda, Hyundai, Caoa e BMW estão com planos prontos, mas aguardam testes de mercado, aceitação do público e a definição do programa Rota 2030 para confirmarem os modelos.
"O Brasil está um pouco atrasado, mas o importante é que está aderindo à tendência mundial de eletrificação, com modelos elétricos e hÃbridos", diz o presidente da Nissan, Marco Silva. Ele calcula que, nos próximos quatro anos, 15% das vendas de automóveis no Brasil serão de modelos eletrificados.
O presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, ressalta que, embora a infraestrutura para recarga dos elétricos seja escassa, "o produto na rua vai criar a necessidade (de desenvolver bases de abastecimento). Por enquanto, todos os produtos "verdes" serão importados, mas o executivo acredita que no máximo em cinco anos haverá produção local.
Nova onda
O lançamento de SUVs também é quase unânime entre as mais de 20 marcas que
participam do salão, que ficará aberto até dia 18 no São Paulo Expo, na capital paulista. Há cerca de 15 novos veÃculos, entre modelos inéditos, renovação de linha e conceitos a serem lançados futuramente.
Um dos conceitos é o Fiat Fastback, um SUV desenhado no Brasil que dará origem a um utilitário compacto a ser fabricado no PaÃs em até dois anos. Será o primeiro veÃculo dessa categoria da marca italiana a ser produzido localmente como parte de um investimento que a marca fará até 2023.
A Volkswagen também estreia nessa categoria com o T-Cross, que começará a ser produzido no inÃcio de 2019 na fábrica de São José dos Pinhas (PR). Outra grande novidade da marca alemã é a apresentação da picape Tarok, veÃculo global que os brasileiros vão ver em primeira mão.
Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul, diz que o modelo exposto no salão ainda é um conceito, mas já estuda qual das fábricas do grupo poderá produzir a picape de médio porte, segmento em que ainda não atua. As mais cotadas são as unidades de São Bernardo do Campo e Taubaté, já que a filial do Paraná deverá ter boa parte de sua capacidade ocupada com o T-Cross.
Rota 2030
A preocupação geral entre os executivos do setor é com a aprovação do novo regime automotivo, o Rota 2030, cuja votação na Câmara foi novamente adiada de ontem para hoje. Na semana passada a votação já havia sido adiada por falta de consenso entre os parlamentares sobre emendas colocadas no projeto que prorrogam benefÃcios para empresas instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o que desagradou as montadoras do Sul e Sudeste.
"Quando todos os presidentes (das montadoras) foram juntos a BrasÃlia apresentar o programa ao presidente Michel Temer éramos uma voz única", diz Silva, da Nissan, acrescentado que agora há uma situação em que há grupos "olhando só para si." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo