15/02/2021 18h22
Sem auxílio, R$ 48 bi deixarão de circular entre os mais pobres
Moradora da comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, acatadora de latinhas para reciclagem Célia da Costa Gomes, de 40 anos, mãe de quatro filhos, com idades de 4, 6, 7 e 10 anos, está preocupada. O leite das crianças e a "mistura" para preparar as refeições acabaram. O gás de cozinha está no fim. A despensa vazia coincide com o fim do auxÃlio emergencial.
O benefÃcio pago pelo governo desde abril aos brasileiros mais vulneráveis, em razão da pandemia, pode ter uma nova rodada. Mas tudo depende de negociações com o Congresso. Enquanto esse imbróglio não se resolve, a partir deste mês a renda de Célia cai para R$ 410 com o Bolsa FamÃlia. Até dezembro, ela recebia R$ 600 por mês por conta do auxÃlio emergencial
"Esses R $200 amenos fazem muita diferença para quem tem criança ", diz acatadora, quemo ranu macas a cujo alugue lé pago pela Prefeitura. Antes da pandemia, Célia conseguia chegara ter renda mensal total de R$ 600, somando o que conseguia coma venda de material para reciclagem e o Bolsa FamÃlia. Por semana, tirava R$ 50 com latinhas. Hoje, porém, até a reciclagem está difÃcil. Aumentou muito o número de catadores e ela vê crianças revirando o lixo nas ruas de São Paulo em busca de latinhas. "Sem emprego e sem auxÃlio( emergencial) fica difÃcil ", afirma acatadora.
Célia e os filhos são uma das 40 milhões de famÃlias das classes De E.Comrend amensal de até R$ 2,6 mil, eles correspondem a 53% dos domicÃlios brasileiros. Com o fim do auxÃlio emergencial, inflação em alta, especialmente dos alimentos, e desemprego no maior nÃvel dos últimos anos, essa deves e racama dada população que mais vai perder renda disponÃvel para consumo neste ano, se o benefÃcio do auxÃlio não for retomado, aponta um estudo da Tendências Consultoria Integrada. Renda disponÃveléodinh ei roques ob rapar agastar depois de comprar itens básicos.
Renda comprometida
O estudo mostra que as classes De E devem perder quase um quarto da renda disponÃvel (23,8%) em termos reais em relação a 2020. Serão R $48 bilhões amenos circulando entre os mais pobres. No ano passado, no entanto, esse foi o estrato social que teve o maior ganho de renda disponÃvel, com avanço de 16,1% ante 2019 por conta dos auxÃlios do governo.
Se o quadro for mantido, essa será a maior quedana renda disponÃvel para as classes De E da série iniciada em 2008. "Não chega nem perto do recuo de 5,4% que houve em 2015", diz Lucas Assis, um dos economistas responsáveis pela projeção.
O estudo, que levou em conta expectativa de inflação ao consumidor (IPCA) para este ano de 3,4%, crescimento da economia (PIB) de 2,9% e taxa de desemprego atingindo 15,1%, prevê recuo da renda disponÃvel, de 3,7% da população brasileira como um todo em 2021, depois do crescimento de 1,1% em 2020. Exceto os mais ricos, a classe A com um avanço na renda disponÃvel de 1,6% esperado para 2021, os demais estratos devem perder capacidade de consumo. Mas o tombo maior é esperado para os mais pobres.
Normalmente 80% da renda das classes De E são destinados à compra de itens básicos. O que sobra é gasto com outros produtos e serviços. E, neste ano, essa sobra - R$ 156 bilhões -deves era menor dos últimos 13 anos.
Segundo Assis, a renda disponÃvel dos mais vulneráveis deve ser atingida por várias frentes. Um adela sé a persistente alta da inflação dos alimentos, itens que pesam mais no orçamento dessas famÃlias. Além disso, sabe-se que o desemprego castiga mais os pobres, apesar de não existir uma taxa por camada social. De toda forma, o principal fator apontado pelo economista para esse choque na renda disponÃvel das classes da base da pirâmides o cia léo fim, por ora, do auxÃlio emergencial.
Nordeste
O reflexo da perda de capacidade de consumo dos mais pobres deve, segundo o economista, afetar mais as vendas do varejo das Regiões Norte e Nordeste do PaÃs, onde há maior concentração da população das classes De E.
"Sentimos uma esfriada no ritmo de vendas em janeiro, mas continuamos crescendo", conta Van Fernandes, presidente do Grupo Vanguarda, de supermercado e atacarejo, com 2 lojas no Maranhão e 22 no PiauÃ.
A rede, que faturou no ano passado R$ 750 milhões com as bandeiras Carvalho Supere Carvalho Mercado eé umadas maiores da região, sentiu o impacto nas vendas especialmente nas lojas de atacarejo no interior do Maranhão, nas cidades Bacabal e Codó. "Lá o fim do auxÃlio fez uma grande diferença", afirma a empresária.
Para alavancar os negócios, Van conta que desde o inÃcio deste mês ampliou o prazo de pagamento das compras feitas com o cartão da empresa. Os 40 dias sem acréscimo foram mantidos. Mas agora é possÃvel parcelar em até três vezes sem juros as compras realizadas em todos os dias da semana, possibilidade antes restrita a um dia determinado. Outra saÃda foi negociar com fornecedores descontos em parte dos itens da cesta básica. Os abatimentos são bancados pela indústria e pelo varejo. "Já que não tem tanto dinheiro circulando na economia, preciso reduzir a margem para manter o faturamento e o consumidor."
David Fiss, diretor de Serviços ao cliente e negócios da consultoria Kantar, especializada em consumo, diz que hoje a indústria está preocupada com promoção e o objetivo é manter o consumidor comprando, mesmo com a renda disponÃvel menor. "Há indústrias que baixam o preço de uma categoria de produto e aumentam de outra para manter o negócio saudável." Existem também fabricantes que optam por reduzir o tamanho das embalagens para oferecer um preço acessÃvel ao bolso mais apertado do consumidor.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo