14/06/2022 13h20
Senado aprova PEC dos biocombustíveis em 2º turno; texto vai à Câmara
O Senado aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tem o objetivo de manter a competitividade de biocombustÃveis como o etanol, diante da desoneração dos combustÃveis fósseis. Foram 72 votos favoráveis e nenhum contrário. No primeiro turno, 68 parlamentares votaram a favor e nenhum contra. A matéria vai para agora para análise da Câmara.
De autoria do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), a PEC fala em manter um regime fiscal "favorecido" para os biocombustÃveis, por meio de lei complementar, o que significa tributar esses produtos com alÃquotas mais baixas do que as dos combustÃveis fósseis.
Em sua "estreia" em pautas relevantes como lÃder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ) tentou adiar a votação, mas não conseguiu. De acordo com ele, o Palácio do Planalto queria mudanças no texto para atender demandas do setor.
"Ao garantir competitividade ao etanol, faremos com que ele seja mais barato para a população, ao mesmo tempo que a gente consegue garantir a sobrevivência de uma indústria que é 100% renovável e 100% nacional", disse o relator da proposta, senador Fábio Garcia (União Brasil-MT).
No texto da PEC, Bezerra usou a questão ambiental para justificar o tratamento tributário mais favorável aos biocombustÃveis. "O potencial de descarbonização dos biocombustÃveis, portanto, é reconhecido nos compromissos brasileiros de redução de emissões de GEE e presente na estrutura tributária nacional, que, em grande medida, diferencia os biocombustÃveis dos combustÃveis fósseis concorrentes e substitutos."
O autor da proposta estabeleceu que qualquer modificação, por proposição legislativa estadual ou federal ou por decisão judicial, das alÃquotas aplicáveis a um combustÃvel fóssil implicará automaticamente na alteração das alÃquotas aplicáveis aos biocombustÃveis que lhe sejam substitutos, para manter o diferencial competitivo.
"Então, hoje nós temos uma diferenciação tributária entre a gasolina e o etanol. Se a gente tem um imposto de 10% na gasolina, para o etanol terá de ser no máximo de 7%. Portanto, tem de ter uma diferenciação tributária que dê essa atratividade ao etanol, que é um combustÃvel renovável, que gera muito emprego, é uma indústria importante para o nosso PaÃs", disse Bezerra, nesta terça, a jornalistas.
Na semana passada, o Broadcast PolÃtico (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) adiantou que Garcia, posteriormente escolhido como relator da PEC, tentaria manter a competitividade do etanol, em meio à s propostas de desoneração da gasolina e outros combustÃveis.
Na segunda-feira o Senado aprovou o projeto de lei que fixa um teto de 17% para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre energia elétrica, combustÃveis, telecomunicações e transporte coletivo. A matéria também prevê zerar as alÃquotas de PIS/Cofins e Cide sobre a gasolina e o etanol.
Fonte: Estadão Conteúdo