04/07/2022 11h05
Senado aprova PEC que turbina benefícios às vésperas da eleição
Com amplo apoio, incluindo da oposição, o Senado aprovou nesta quinta-feira, 30, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que turbina benefÃcios sociais à s vésperas da eleição. Com mais um novo benefÃcio, um auxÃlio-gasolina para taxistas, o custo do pacote que vai ficar fora do teto de gastos chega a R$ 41,2 bilhões.
Foram duas votações. Na primeira, o placar foi de 72 a 1. Na segunda, foram 67 favoráveis e apenas 1 contrário. O texto agora segue para a Câmara dos Deputados.
Segundo o governo, as medidas têm como objetivo reduzir o impacto da disparada dos combustÃveis. O relator da PEC, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), alterou o parecer final e limitou a definição do estado de emergência, previsto no texto, para blindar o presidente Jair Bolsonaro de infringir a lei eleitoral. O trecho retirado da proposta era visto pela oposição como uma "carta branca" para o governo gastar durante a eleição. Isso porque a legislação impede, em situação normal, a criação de benesses em ano eleitoral, exceto em caso de estado de emergência ou calamidade.
Como antecipou o Estadão, as novas medidas foram incluÃdas na PEC que já foi batizada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de PEC Kamikaze, devido aos riscos para as contas públicas. Inicialmente, a ideia do governo era incluir o pacote na PEC dos CombustÃveis para compensar os Estados pela redução dos tributos cobrados sobre os produtos.
'Pacote do desespero'
A menos de 100 dias das eleições, o Congresso e o Planalto agiram para ampliar ainda mais o "pacote do desespero", como foi apelidado nos bastidores por técnicos as medidas. O impacto fiscal da PEC ficou em R$ 41,2 bilhões fora do teto de gastos - a regra que limita o crescimento das despesas do governo.
De acordo com o texto, o auxÃlio-gasolina pago aos taxistas será de R$ 200 mensais. De acordo com o lÃder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), a medida teria um custo de R$ 2 bilhões.
Além desse benefÃcio, o pacote inclui o fim da fila do AuxÃlio Brasil, estimada em 1,6 milhão de famÃlias, e o aumento do valor do programa social que substituiu o Bolsa FamÃlia de R$ 400 para R$ 600 até o final do ano. O custo estimado com o benefÃcio na proposta subiu de R$ 21,6 bilhões para R$ 26 bilhões.
Além disso, há estimativa de gasto de R$ 5,4 bilhões para conceder uma "bolsa-caminhoneiro" de R$ 1 mil por mês; de R$ 2,5 bilhões para dar subsÃdio à gratuidade a passageiros idosos nos transportes públicos urbanos e metropolitanos; de R$ 1,05 bilhão dobrar o vale-gás a famÃlias de baixa renda; e R$ 3,8 bilhões para compensar Estados que reduzam as alÃquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o etanol para manter a competitividade do biocombustÃvel em relação à gasolina.
Outros R$ 500 milhões serão direcionados ao programa Alimenta Brasil, que faz parte do AuxÃlio Brasil, por meio do qual o poder público compra alimentos produzidos por agricultores familiares e destina os produtos a famÃlias em situação de insegurança alimentar, escolas públicas e unidades prisionais. Todas as medidas valeriam apenas até o final do ano.
A pedido da oposição, Bezerra proibiu o uso de recursos destinados ao AuxÃlio Brasil e ao vale-gás para publicidade institucional. Os oposicionistas temiam que Bolsonaro usasse a verba prevista na PEC para se promover à s vésperas da eleição de outubro.
Todas as medidas serão custeadas por meio da abertura de créditos extraordinários, com impacto no resultado das contas do governo e também no endividamento. Para "compensar" os novos gastos, o governo conta com recursos do BNDES, da Petrobras e da privatização da Eletrobras.
AS MEDIDAS DA PROPOSTA 'EMERGENCIAL'
- AuxÃlio Brasil: Ampliação de R$ 400 para R$ 600 mensais e cadastro de 1,6 milhão de novas famÃlias no programa (custo estimado: R$ 26 bilhões)
- Bolsa-caminhoneiro: criação de um benefÃcio de R$ 1 mil (custo estimado: R$ 5,4 bilhões)
- AuxÃlio-Gás: Ampliação de R$ 53 para o valor de um botijão a cada dois meses (o preço médio atual do botijão de 13kg, segundo a ANP, é de R$ 112,60; custo estimado: R$ 1,05 bilhão)
- Transporte gratuito de idosos: compensação aos Estados para atender a gratuidade, já prevista em lei, do transporte público de idosos (custo estimado: R$ 2,5 bilhões)
- Etanol: Repasse de até R$ 3,8 bilhões a Estados para manutenção do ICMS em 12% para manter a competitividade do biocombustÃvel em relação à gasolina.
- Taxistas: AuxÃlio-gasolina de R$ 200 para os taxistas ao custo de R$ 2 bilhões
- Alimenta Brasil: R$ 500 milhões seriam direcionados ao programa para a compra de alimentos de agricultores familiares.
Fonte: Estadão Conteúdo