04/01/2022 17h40
Sindicato de funcionários do BC diz que 1200 já aderiram a movimento por reajuste
A mobilização por aumento salarial está esquentando dentro do Banco Central. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad, 1.200 funcionários sem cargos comissionados ou previstos para substituição já aderiram ao movimento - mais de um terço do total de servidores na ativa (3.500) -, se comprometendo a não assumir funções de comissão.
Ontem, como mostrou o Broadcast, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado, já no dia 29 de dezembro, começou a rodar dentro do órgão outra lista virtual para entrega de cargos comissionados e comprometimento dos substitutos de não assumirem as funções - cerca de 1.000 funcionários (500 em cargos de chefia e outros 500 substitutos), segundo o sindicato. A entidade prevê divulgar um balanço com as adesões até o fim desta semana.
Hoje, o governo publicou no Diário Oficial da União (DOU) um decreto que remaneja os nÃveis de funções comissionadas no Banco Central, mas o órgão esclareceu que a medida não está relacionada com a mobilização dos servidores. Segundo a autarquia, é apenas um remanejamento para fortalecer as atividades ligadas ao Pix e ao Open Banking, sem aumento no valor das comissões ou no custo total, previsto no decreto em R$ 4,948 milhões. O decreto informa também o número de 1.248 funções comissionadas no BC, sendo que 1.158 de cargos de direção e assessoramento e 90 de suporte, com custo global de R$ 4,948 milhões.
O sindicato também iniciou ontem uma rodada de reuniões virtuais com os vários setores da autarquia para explicar a mobilização e convencer o maior número possÃvel de pessoas a aderir, no contexto da insatisfação de diversas categorias de servidores federais com o reajuste previsto apenas para policiais em 2022.
"Teremos um documento coletivo com pessoas que vão entregar comissões e substituições eventuais e outra lista de pessoas que não vão assumir em hipótese alguma as comissões para conversar com o presidente Roberto Campos Neto. A ideia é falar que não temos condições de administrar o BC com essa situação de reajuste só para a PolÃcia Federal e não para o BC", explica Faiad, do sindicato de funcionários do BC.
Além disso, o Sinal irá aderir à s paralisações nacionais aprovadas pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras TÃpicas de Estado (Fonacate) - a primeira está prevista para dia 18 de janeiro. Segundo Faiad, haverá um ato na frente da sede do BC em BrasÃlia das 10h à s 12h no dia 18, além de um protesto virtual no Brasil todo. "Se nada avançar depois da paralisação do dia 18, a ideia é discutir a possibilidade da greve a partir de fevereiro", frisa Faiad.
Faiad ainda afirmou que o sindicato pediu uma reunião com Campos Neto, para discutir o assunto antes do fim de 2021, mas ele entrou de férias e não quis atendê-los. O Sinal está tentando marcar uma conversa no inÃcio deste ano.
Servidores do BC relatam, em condição de anonimato, que o clima é de insatisfação no órgão e desagrado com Campos Neto, que, na avaliação dos funcionários, poderia estar brigando mais pelos interesses da categoria, uma vez que tem entrada no governo Bolsonaro.
A sensação dos funcionários é que o clima de mobilização está esquentando dentro do órgão e que é provável que haja adesão à paralisação do dia 18. Mas alguns servidores relatam que há certa divisão dentro do órgão, com o movimento mais forte entre os servidores mais jovens. A perspectiva é de adesão mais baixa entre os comissionados que já estão há mais tempo dentro do BC.
Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), 1.237 auditores já haviam entregado os cargos até esta segunda-feira, 3, em um total de 7.500.
Fonte: Estadão Conteúdo