14/10/2017 09h40
S&P só fez seu trabalho, afirma Meirelles
A ameaça de novo rebaixamento na nota de crédito do Brasil coincidiu com mais uma tentativa do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de apresentar ao mundo um paÃs em recuperação, sob nova gerência e mais atraente para os investidores. Ele foi confrontado com a novidade, numa entrevista, ao sair de um almoço da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington, na vizinhança da Casa Branca.
No dia anterior, o executivo da Standard & Poors (S&P) Joydeep Mukherji havia indicado o risco de novo corte da nota brasileira se a reforma da Previdência continuar emperrada ou se sair muito diluÃda.
As agências, disse o ministro, estão cumprindo sua função e seus alertas são compatÃveis com os do governo. "Temos dito que a aprovação da (reforma) da Previdência é fundamental para a sustentabilidade, a longo prazo, das contas do Brasil. Quanto mais cedo isso ocorra, melhor."
As agências, acrescentou, têm demonstrado confiança no PaÃs. Elas fazem o seu trabalho e o governo deve fazer o dele: "Não me preocupo com o trabalho delas, mas elas têm de se preocupar com o nosso."
As três principais classificadoras de risco de crédito, a S&P, a Moodys e a Fitch, cortaram a nota do Brasil duas vezes, nos últimos meses do governo da presidente Dilma Rousseff. Com esses cortes, o PaÃs foi rebaixado ao nÃvel especulativo e ficou dois degraus abaixo do piso da área reservada à queles classificados como bons pagadores.
De fato, ninguém expressou dúvida quanto à capacidade ou à disposição do governo brasileiro de pagar suas dÃvidas, mas o rebaixamento refletiu a desordem crescente das contas públicas. Com o inÃcio da polÃtica de ajuste, a baixa de inflação e o começo da recuperação econômica, os prêmios de risco do crédito brasileiro têm caÃdo no mercado internacional.Mas as decisões das agências envolvem avaliações mais complexas e podem ser demoradas.
Durante o almoço, o ministro havia falado sobre as mudanças na polÃtica econômica, a recuperação iniciada no primeiro trimestre, o esforço de ajuste das contas públicas e o programa de reformas. Ele reafirmou a expectativa de ver aprovada a reforma da Previdência ainda neste ano e mencionou sua importância para a sustentação do teto de gastos e para a criação de espaço fiscal, necessário para a preservação das funções de governo e para os investimentos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo