24/02/2019 09h11
Subsídio ao agronegócio cobrado na conta de luz é irregular, avalia TCU
Na semana passada, o agronegócio comemorou uma vitória. O governo de Jair Bolsonaro decidiu voltar com o subsÃdio que o setor recebe nas contas de luz, derrubado no fim do ano passado pelo ex-presidente Michel Temer. Uma avaliação feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), porém, dá razão a Temer: para a área técnica do órgão, esses subsÃdios estão "completamente desalinhados" com as leis que regulam o setor e até com a própria Constituição. Em outras palavras, são ilegais.
Os subsÃdios - não só para o agronegócio - estão embutidos na conta de luz de todos os brasileiros. No total, chegam a mais de R$ 20 bilhões, sendo 17% desse total só para os agricultores. Pelo decreto editado no fim de 2018, o benefÃcio aos produtores rurais começaria a ser reduzido este ano, ao ritmo de 20% ao ano, até ser zerado em cinco anos.
Menos de um mês depois da publicação do decreto, porém, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e deputados da bancada ruralista começaram a pressionar o governo a recriar o benefÃcio. O deputado Heitor Schuch (PSB-RS) apresentou projeto de decreto legislativo para suspender os efeitos do decreto de Temer, e a proposta chegou a constar da pauta de votações do Plenário da Câmara. Mas nem foi preciso. Na semana passada, o lÃder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-GO), disse que o governo revogaria o decreto.
Para o TCU, porém, isso não deveria ocorrer. O ministro Aroldo Cedraz, relator do caso no órgão, acolheu um parecer da área técnica do órgão apontando falhas e vÃcios na gestão da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), taxa cobrada na conta de luz dos consumidores de todo o PaÃs.
A avaliação é de que não apenas o subsÃdio para a atividade rural nada tem a ver com a polÃtica energética do PaÃs, mas também os concedidos para irrigação, aquicultura e empresas que prestam serviços de água, esgoto e saneamento. O entendimento é que esses benefÃcios só podem ser financiados com recursos públicos do Orçamento Geral da União - ou seja, por meio de tributos e impostos.
Voto
A cobrança de taxas na conta de luz para manter esses benefÃcios é "ilegÃtima" e "extrapola os limites do nosso ordenamento jurÃdico", disse Cedraz, em seu voto. Para ele, o governo precisa dar "efetividade" à lei que estabeleceu uma polÃtica de redução estrutural dessa despesa. Após apresentação do voto, porém, o ministro Walton Alencar pediu vista do processo e alegou a necessidade de esclarecer dúvidas sobre o tema. A discussão agora terá de ser retomada.
Procurado, o MME informou que o assunto está em estudo pela pasta, em conjunto com os Ministérios da Economia, do Desenvolvimento Regional e da Agricultura, com a participação da Casa Civil da Presidência da República. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo