06/06/2019 07h10
Subsídios foram inócuos, diz governo
O aumento das renúncias tributárias no Brasil entre 2003 e 2015 gerou efeito contrário ao verificado em paÃses como Canadá e Coreia do Sul, onde a ampliação de uma polÃtica de subsÃdios impulsionou a atividade econômica e a própria arrecadação de receitas para esses governos.
A disparidade nos resultados encontrada pelo Ministério da Economia em estudo sobre o tema aponta, na visão do governo Jair Bolsonaro, que os subsÃdios concedidos pelos governos do PT no PaÃs foram ineficientes para alavancar o crescimento porque foram aplicados onde não deveria e merecem ser revistos. No boletim, a Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria (Secap) analisa o desempenho da arrecadação de outros quatro paÃses (Canadá, Coreia do Sul, Austrália e México), além do Brasil. Eles foram selecionados por terem participado de um seminário sobre o tema realizado em maio pelo Banco Mundial.
No caso da Austrália, as renúncias tributárias saÃram de 8% do PIB em 2011 para mais de 10% do PIB neste ano. Em contrapartida, a arrecadação passou de 32% para quase 36% do PIB no perÃodo.
No Canadá, os subsÃdios passaram de 6% para 7% do PIB entre 2009 e 2017, enquanto as receitas saÃram de 38% para 40% da renda gerada no PaÃs.
O estudo mostra ainda que, na Coreia do Sul, os gastos tributários ficaram estáveis em cerca de 2,5% do PIB entre 2011 e 2017, mas a arrecadação cresceu de 22% a quase 25% do PIB. No México, as receitas também acompanharam a alta nos benefÃcios concedidos.
No Brasil, por sua vez, o que se verificou foi o contrário. O gasto tributário saiu de 2% para 4,5% do PIB entre 2003 e 2015. A arrecadação, que era de 22% do PIB, chegou a se aproximar aos 24% do PIB em 2006, mas perdeu fôlego e tem se mantido na casa dos 22% nos últimos anos.
"Diferentemente dos outros paÃses analisados, encontramos fortes indÃcios de que a polÃtica de renúncia tributária feita pelo governo federal entre 2003 e 2015 comprometeu a arrecadação de tributos federais, ou seja, foi uma polÃtica que, além de não contribuir com o fomento da atividade econômica, foi decisiva para deteriorar as contas públicas", afirma o secretário da Secap Alexandre Manoel.
Para o governo, os subsÃdios precisam ser reavaliados. O relatório sugere como "uma possÃvel estratégia" a realização de ajustes por tipo de tributo, em vez de atacar uma polÃtica pública especÃfica. A ideia seria reonerar, em determinado porcentual, todos os programas que resultaram em renúncia de determinado tipo de tributo, como Cofins ou contribuição previdenciária, por exemplo. Só esses dois tributos responderam por 71% do aumento nas renúncias entre 2009 e 2015.
A maior parte dos subsÃdios só pode ser alterada com aval do Congresso Nacional, geralmente sensÃvel ao lobby de categorias para manter ou até ampliar seus benefÃcios. Mas a (Secap) defende, em boletim mensal sobre os subsÃdios da União, que a iniciativa seria "uma reoneração justificada na ausência dos efeitos dessa polÃtica".
O Ministério da Economia tem pregado a necessidade de reavaliar e diminuir os subsÃdios e trabalha com uma agenda de revisão por programas especÃficos. Como antecipou o Estadão/Broadcast, a primeira lista mira em oito programas que serão alvo de um pente-fino ainda neste ano, entre eles a Zona Franca de Manaus. A ideia é que todos os anos haja nova agenda de revisão dos benefÃcios, que será conduzida pelo Comitê de Monitoramento e Avaliação dos SubsÃdios (CMAS).
Até o fim de 2022, a equipe econômica pretende reduzir os subsÃdios em mais de um terço do montante atual. A tesourada será equivalente a 1,5% do PIB até o fim de 2022, ou cerca de R$ 102 bilhões em valores de hoje. Só no ano passado, o governo abriu mão de R$ 292,8 bilhões em receitas, ou 4,3% do PIB.
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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo