10/01/2022 20h00
Taxas de juros sobem com pressão dos Treasuries e incertezas fiscais
Os juros fecharam o dia em alta, pressionados pela aversão ao risco no exterior decorrente das apostas de antecipação no aperto monetário nos Estados Unido e receios sobre o quadro fiscal doméstico, dada a falta de compensação para a prorrogação da desoneração da folha de pagamentos e a mobilização do funcionalismo por reajuste salarial. Nem mesmo a possibilidade do presidente Jair Bolsonaro vetar reajustes a todos os servidores conseguiu tranquilizar o mercado. Para compor o quadro de cautela, na terça-feira sai o Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e de 2021.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 12,07% (regular) e 12,08% (estendida), de 11,987% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 11,433% para 11,505% (regular)e 11,48% (estendida). A do DI para janeiro de 2027 encerrou em 11,39% (regular) e 11,37% (estendida), de 11,317%.
As taxas até ensaiaram uma correção em baixa na abertura dos negócios, com a acomodação das expectativas de inflação na Focus, mas viraram ainda pela manhã, acompanhando a pressão do câmbio e a escalada no rendimento dos Treasuries. Mais dados desta segunda-feira da economia norte-americana acima do esperado - estoques no atacado e tendência de emprego - alimentaram a ideia de que o Federal Reserve começará a subir o juro em março e pode aplicar até quatro doses este ano, que já vinha se consolidando com a ata do Federal Reserve e a leitura do relatório de emprego de dezembro.
A equipe da Porto Seguro Investimentos destaca que a sinalização do Fed indica um desafio para os emergentes, lembrando que a grande maioria desses paÃses é importadora lÃquida de capitais internacionais. "Isso significa que a mera expectativa de aperto monetário nos EUA desestimula o fluxo de entrada de recursos nessas economias, consequentemente pressionando suas moedas. Uma taxa de câmbio mais depreciada, por sua vez, acentua as pressões inflacionárias nessas regiões", diz relatório da instituição.
À tarde, as taxas desaceleraram um pouco a alta na medida em que tanto o avanço do dólar ante o real quanto o do retorno da T-Note perderam força.
Internamente, o foco do noticiário se manteve em BrasÃlia e a questão dos reajustes para servidores se manteve na ordem do dia, dado que várias categorias seguem operando em "modo paralisação" em protesto contra a decisão de Bolsonaro de reajustar exclusivamente salários de policiais. No fim de semana, o presidente afirmou que "pode não haver reajuste para ninguém", em linha com a orientação do ministro Paulo Guedes, que alertou-o de que conceder o reajuste a apenas uma categoria vai aumentar a pressão.
O mercado, aparentemente, não comprou a ideia. "Efetivamente, a possibilidade de retroceder é difÃcil. O mercado parece não estar apostando neste discurso", disse o analista de Investimentos Renan Sujii. Até porque descumprir o prometido pode ter consequências. Representantes da categoria afirmaram reservadamente ao Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) que um possÃvel recuo pode fazer policiais irem à s ruas criticar uma "falta de compromisso" do presidente para com o órgão.
Na terça-feira, a agenda da semana começa a esquentar com o IPCA logo na abertura da sessão. A mediana das estimativas aponta desaceleração de 0,95% em novembro para 0,65% em dezembro. Para o ano, a mediana é de 10%, o que representará estouro da meta de inflação, cujo teto é de 5,25%.
Fonte: Estadão Conteúdo