19/10/2017 15h00
Tensões políticas na Espanha pressionam e bolsas da Europa fecham no vermelho
Os mercados acionários europeus fecharam em baixa nesta quinta-feira, 19, após uma escalada nas tensões polÃticas na Espanha e preocupações sobre o crescimento da China darem espaço para uma busca por ativos considerados mais seguros.
O Ãndice pan-europeu Stoxx-600 fechou em queda de 0,63% (-2,46 pontos), aos 389,10 pontos.
As tensões entre a Espanha e a Catalunha se aprofundaram nesta quinta-feira, com o governo central de Madri ameaçando tomar medidas para retirar poderes do governo regional da Catalunha após o lÃder catalão, Carles Puigdemont, não cumprir o prazo para renunciar ao impulso pela independência da região. Em vez de atender à demanda de Madri, Puigdemont ameaçou o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy, afirmando que iria avançar com a independência caso não houvesse uma negociação entre as partes.
Em resposta, Madri afirmou que realizaria uma reunião extraordinária no sábado, onde pode invocar o artigo 155 da Constituição espanhola, que retiraria alguns dos poderes da região semiautônoma. Caso isso ocorra, seria a primeira vez que um governo espanhol tenta suspender regras de uma de suas regiões. Todos os movimentos se dão após o impasse entre Espanha e Catalunha depois que a região fez um plebiscito em 1º de outubro sobre a independência do território, onde 90% dos votos foram favoráveis à secessão.
Tendo o cenário espanhol como pano de fundo, os investidores se voltaram a ativos considerados mais seguros, o que enfraqueceu as bolsas europeias como um todo. O Ãndice Ibex-35, da bolsa de Madri, foi um dos mais penalizados, ao fechar em baixa de 0,74%, aos 10.197,50 pontos. Entre as instituições financeiras catalãs, o Banco de Sabadell cedeu 1,68% e o CaixaBank recuou 1,50%.
No mercado de bônus, o juro do tÃtulo espanhol de 10 anos subiu para 1,624%, enquanto a busca por segurança fez o yield do Bund alemão de 10 anos cair de para 0,398%. O spread entre os dois ficou em 1,25% e essa diferença pode aumentar "se a situação na Espanha ficar mais tensa, mas pode ser uma oportunidade interessante em um horizonte de médio prazo", comentaram estrategistas do UniCredit, em nota a clientes.
De acordo com a agência de classificação de risco Moody's, uma piora na situação entre o governo da Catalunha e o de Madri pode afetar o rating soberano espanhol no futuro. "Enquanto continuamos a acreditar que a probabilidade da secessão catalã continua baixa, a rápida escalada das tensões e o impasse polÃtico em curso sugerem que o risco aumentou um pouco nas últimas semanas", disse a Moody's, em relatório.
Em Frankfurt, as tensões envolvendo a Catalunha deram espaço para um movimento de realização de lucros, já que o Ãndice DAX renovou sucessivas máximas históricas nos últimos dias, Hoje, o DAX fechou em baixa de 0,41%, aos 12.990,10 pontos.
Além da Espanha, o impacto foi maior nos mercados acionários italianos, com o Ãndice FTSE-Mib, da bolsa de Milão, em queda de 0,99%, aos 22.133,21 pontos. Já em Paris, o Ãndice CAC-40 baixou 0,29%, aos 5.368,29 pontos. Em Lisboa, o Ãndice PSI-20 encerrou no vermelho, em queda de 0,02%, aos 5.460,35 pontos.
Ainda nesta quinta-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, fará um discurso endereçado aos lÃderes da União Europeia sobre garantias para os cidadãos do bloco que vivem no Reino Unido, esperando dar nova vida à s negociações paralisadas do Brexit, afastando o foco de um impasse sobre a parte financeira. Na agenda de indicadores, o Escritório de EstatÃsticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) informou que as vendas no varejo do Reino Unido caÃram 0,8% em setembro ante agosto enquanto analistas esperavam estabilidade no confronto mensal. Com isso, a libra ampliou as perdas em relação à moeda americana.
O Ãndice FTSE-100 fechou em baixa de 0,26%, aos 7.523,04 pontos. Entre os destaques negativos, esteve a Unilever, que fechou em queda de 5,49% após divulgar um crescimento de receita mais fraco no terceiro trimestre. (Com informações da Dow Jones Newswires)
Fonte: Estadão Conteúdo