19/03/2018 13h00
Tesouro perde espaço e novas aplicações caem ao nível de 2015
Em janeiro, o número de novos investidores ativos, ou seja, que fizeram pelo menos uma aplicação no mês no Tesouro Direto, voltou ao nÃvel de três anos atrás. O saldo de 6,2 mil cadastros ativos no mês foi o menor desde maio de 2015, quando 3,43 mil pessoas compraram tÃtulos do governo.
Coqueluche dos investimentos em 2016, os tÃtulos perderam terreno para a concorrência e acabaram desprestigiados com a queda da Selic. No total, o Tesouro tem hoje 572 mil cadastros ativos - apenas 30% dos inscritos no programa hoje, 1,9 milhão.
Essa queda no investimento ocorre principalmente porque o Tesouro saiu da roda de conversa para dar espaço a nomes como bolsa e até a bitcoin. O boom de aplicações em 2016 e do inÃcio de 2017, foi quando a rentabilidade dos tÃtulos estava muito elevada e quem se deu bem espalhou a febre.
"Quando os investidores estão aplicando muito em um produto, é porque ele foi bom (no passado), e não porque é bom (no momento)", resume o professor de finanças do Insper, Michael Viriato.
Outro fator que explica a queda do Tesouro mês a mês é o procedimento de atualização diária dos preços. Ao comprar um tÃtulo, o investidor não precisa ficar com a aplicação até a sua data final. Ele pode vendê-lo a qualquer instante e, dependendo do cenário econômico, aquele tÃtulo pode ter valorização ou não em um determinado dia.
Neste momento, com a derrubada dos Ãndices de inflação e da Selic, taxa básica de juros da economia, alguns tÃtulos antigos do Tesouro valem mais do que os novos. Isso permitiu aos investidores uma janela de oportunidade para a 'realização de ganhos', jargão do mercado que significa comercializar o ativo para embolsar o lucro.
Paulo Marques, gerente institucional do Tesouro, também explica que janeiro é um mês de muitos vencimentos. E, naturalmente, se o aplicador não encontra um cenário favorável, ele pode sacar o dinheiro e partir para outro investimento.
"Isso tem total relação com a queda dos juros", acredita Marcio Cardoso, sócio-fundador da Easynvest. Ele, no entanto, ainda considera positivo investir no Tesouro. Para isso, faz uma conta simples.
Se na próxima reunião do Copom a Selic cair para 6,5% ao ano, com uma inflação de 3%, o aplicador ganharia algo próximo a 3,5% em um tÃtulo indexado a taxa de juros.
Na outra ponta, Cardoso diz que a queda do Tesouro também pode ser explicada por uma parcela de investidores que migraram para opções mais rentáveis, como tÃtulos privados ou debêntures. Esse movimento ocorre em especial por quem quer retornos no curto e médio prazo, aponta Roberto Indech, analista-chefe da Rico.
Segundo ele, o Tesouro perdeu espaço também na propaganda das corretoras para produtos mais arriscados, como fundos multimercado e de ações.
Inativos
Se por um lado o saldo de aplicadores ativos está em queda, por outro, o número de pessoas que apenas se cadastram no Tesouro continua alto - só em janeiro foram 82 mil novos inscritos.
Segundo Marques, essa entrada é expressiva porque as corretoras de valores inserem os seus clientes automaticamente no programa, mesmo que ele não faça nenhuma aplicação. Com isso, hoje o número de 'clientes inativos' do Tesouro Direto é de 1,3 milhão de CPFs. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo