15/02/2021 18h20
Tesouro revisa projeção da dívida bruta para 94,4% do PIB ao fim de 2020
O Tesouro Nacional revisou a sua projeção para a dÃvida bruta e agora vê o indicador encerrando o ano em 94,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Antes, a previsão era fechar 2020 em 96,0% do PIB, mas uma queda menos intensa da atividade econômica e um rombo menor das contas anunciados pelo governo devem amenizar o resultado do endividamento neste ano.
Ainda assim, o patamar da dÃvida bruta estará bem maior do que em 2019, quando fechou em 75,8%. Além disso, o nÃvel continua colocando o Brasil próximo a paÃses com classificação de alto risco nas escalas de agências de rating. Um deles é a Argentina, cuja dÃvida está na casa dos 98,7% do PIB.
"O nÃvel da dÃvida bruta está rompendo todos os nÃveis históricos do Brasil", alertou o Tesouro no Relatório de Riscos Fiscais da União, divulgado nesta quinta. "Fica evidente a urgência de se retomar o processo de consolidação fiscal do PaÃs, sobretudo evitando-se que novas despesas elevem o déficit fiscal, uma vez que este aumento implicaria na necessidade de medidas futuras que aumentem ainda mais a geração de resultados primários positivos", acrescentou o órgão.
O principal fator a impulsionar o aumento da dÃvida é a pandemia do novo coronavÃrus, que tornou necessária a ampliação de gastos para combater os efeitos da doença.
As novas projeções consideram o cenário macroeconômico mais recente da Secretaria de PolÃtica Econômica (SPE), divulgado na semana passada, e a atualização do cenário fiscal pelo 5º relatório bimestral do Orçamento. Por essas estimativas, o PIB deve cair 4,5% este ano, e o déficit deve ser de R$ 844,6 bilhões - ambas são menos piores que as anteriores.
Segundo o Tesouro, a dÃvida bruta deve atingir 94,5% do PIB em 2021 e avançar a 94,8% em 2022. Em 2023, a DBGG deve chegar a 95,7% do PIB, de acordo com as simulações.
Neste documento, o Tesouro só divulgou as projeções até 2023, mesmo horizonte das estimativas que constam na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021. No relatório quadrimestral da dÃvida, publicado no fim de outubro, as projeções eram feitas até 2029. O documento apontava que a dÃvida do Brasil passaria dos 100% do PIB em 2025.
No caso da dÃvida lÃquida, que desconta ativos do PaÃs como as reservas internacionais, as projeções também foram revisadas e apontam para 66,5% do PIB em 2020, 69,4% em 2021, 72,6% do PIB em 2022 e 75,8% do PIB em 2023.
Fonte: Estadão Conteúdo