29/05/2018 15h11
Trem com combustível descarrila e polícia investiga sabotagem em Bauru (SP)
Uma locomotiva que tracionava dez vagões carregados com 650 mil litros de diesel descarrilou na manhã desta terça-feira, 29, em Bauru, interior de São Paulo. Os vagões-tanques não chegaram a tombar e não houve vazamento de combustÃvel, mas a PolÃcia Civil investiga uma possÃvel sabotagem. A região é palco de manifestações de caminhoneiros contra a alta no preço do diesel.
O óleo diesel havia sido carregado na Refinaria de PaulÃnia, na região de Campinas, e se destinava à s três empresas que abastecem os postos de Bauru e de cidades da região. Funcionários teriam encontrado parafusos soltos nos trilhos, o que caracterizaria sabotagem. A concessionária da ferrovia não confirmou essa informação, mas a PolÃcia Civil vai investigar o caso.
De acordo com a concessionária Rumo, a locomotiva saiu dos trilhos durante uma manobra de recuo no pátio de triagem de Bauru. Os dez vagões de combustÃvel, no entanto, permaneceram nos trilhos. "Equipes trabalham no local para retomar a operação do pátio o quanto antes. O ocorrido não afeta as demais operações", informou em nota.
Conforme a Rumo, foi aberta uma sindicância para apurar as causas do acidente. À reportagem, a concessionária informou que alguns funcionários teriam encontrado parafusos soltos na conexão entre os trilhos, mas só a apuração a ser feita pela sindicância pode indicar se houve sabotagem. A retirada desses parafusos exige o uso de chaves próprias.
A PolÃcia Civil de Bauru enviou uma equipe ao local do acidente para uma perÃcia. O delegado Marcos Mourão, do Departamento de PolÃcia Judiciária do Interior (Deinter 4), disse que houve informação de sabotagem e isso será apurado.
O transporte de combustÃvel pela ferrovia vinha garantindo o abastecimento de Bauru sem filas até a segunda-feira, 28, quando donos de carros de municÃpios vizinhos 'invadiram' a cidade para encher os tanques. No mesmo dia, ao tomar conhecimento da chegada de combustÃvel por trem, grupos de caminhoneiros bloquearam as saÃdas dos terminais. Nesta terça-feira, os caminhões estavam saindo das distribuidoras com escolta policial.
Além da investigação de possÃvel sabotagem como causa do descarrilamento da locomotiva, a PolÃcia Civil de Bauru vai investigar também os piquetes realizados por caminhoneiros para impedir entrada e saÃda de caminhões que abastecem a região. Com apoio da PolÃcia Militar, policiais civis estiveram nos locais e identificaram os lÃderes dos manifestantes. Após serem informados de que será aberto inquérito para apurar eventuais crimes, como o de ameaça, os manifestantes deixaram os locais. A partir dessa ação, os caminhões passaram a sair dos terminais com escolta da PM.
Corrida
Pela primeira vez após o inÃcio da paralisação dos caminhoneiros, há nove dias, os postos de gasolina de Bauru, interior de São Paulo, tinham filas para abastecimento. O combustÃvel começou a faltar depois de ser divulgado que a cidade era uma das poucas do interior de São Paulo que tinham combustÃvel à vontade porque é abastecida por trem. Gasolina e óleo diesel são transportados em vagões da Refinaria de PaulÃnia, na região de Campinas, para três distribuidoras da cidade.
Na segunda-feira, uma grande quantidade de veÃculos das cidades vizinhas se deslocaram para Bauru. Num dos postos, os frentistas contaram placas de dez cidades diferentes. Motoristas de MarÃlia e Botucatu, cidades que ficam a cerca de 100 quilômetros, foram vistos abastecendo em Bauru. Muitos enchiam também os galões que levavam nos porta-malas. O combustÃvel chegou a faltar em bombas de alguns postos pelo excesso de consumo.
Conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), apesar do transporte da gasolina por trem, as distribuidoras dependem da chegada de etanol para ser misturado a esse combustÃvel. Além disso, a situação se agravou porque os caminhoneiros em greve também souberam da mobilização dos motoristas e se deslocaram da rodovia Marechal Rondon (SP-300), onde estavam concentrados, para bloquear a saÃda das distribuidoras.
Fonte: Estadão Conteúdo