01/08/2016 14h40
Alison e Bruno Schmidt preveem duelos difíceis no 'Coliseu' do vôlei de praia
"Um grande Coliseu". Foi assim que o jogador Alison, parceiro de Bruno Schmidt no vôlei de praia, definiu a arena montada na praia de Copacabana, na zona sul do Rio, para 12 mil espectadores. Uma das principais esperanças de ouro para o Brasil na OlimpÃada, a dupla treinou nesta segunda-feira pela primeira vez no local. Para se adaptar à s condições de jogo, o treinamento aconteceu das 11h à s 12h, mesmo horário da estreia da no próximo sábado.
Os atletas falaram à imprensa sobre as primeiras impressões das instalações olÃmpicas e da expectativa para a estreia. Apesar do favoritismo, Bruno e Alison classificaram os adversários da primeira fase no grupo A, do qual são cabeças-de-chave, como muito fortes. Os brasileiros fazem sua estreia contra a dupla canadense Josh Binstock e Sam Schachter. Depois, vão enfrentar Ranghieri e Carambula, da Itália - que treinaram nesta segunda cedo na quadra central - e os austrÃacos Doppler e Horst.
"Todos os jogos são difÃceis. Temos que pensar em cada jogo como se fosse uma final. Passou da primeira fase, são mais quatro finais. Perdeu tá fora. É assim que a gente encara grandes torneios. Sete finais", afirmou Alison.
Já Bruno Schmidt foi questionado sobre a pressão de estrear em uma olimpÃada em casa e vindo de uma famÃlia com sobrenome olÃmpico. O jogador é sobrinho de Oscar Schmidt, maior cestinha da história do basquete brasileiro. "A ansiedade é gostosa. Ela te deixa ligado, atento, preparado. É bom ficar com ela do começo ao fim", disse Bruno.
O atleta contou que recebeu um vÃdeo do tio pedindo ele traga a medalha. O jogador tem contado também com a experiência de Alison, que foi medalha de prata em Londres-2012. Apesar de reconhecer que a dupla vem de uma campanha vitoriosa, Bruno diz que é preciso jogar com humildade e sem pensar no favoritismo. "Vôlei de praia é um esporte em que tudo pode acontecer. Cada ano é um ano. A gente deixa o favoritismo para vocês", brincou com os jornalistas.
O treino de Alison e Bruno na quadra central ainda não tem data confirmada, mas também deve ocorrer no horário do jogo de estreia. Nesta segunda, os dois conheceram a quadra e todas as instalações da arena. Uma das maiores preocupações dos atletas é com o vento sul que bate no Rio, diferente das condições de Vila Velha, no EspÃrito Santo, base de treinamento deles.
"Na Arena de Londres eram 15 mil pessoas, aqui são 12 mil. Só que a diferença é que a arena aqui é para cima, fica mais fechada, como um Coliseu. Quando o vento sul entra, ele roda bastante ali dentro. Você não tem um lado bom ou ruim, vai valer muito da leitura dos jogadores", disse Alison. Os dois receberam orientações do técnico Leandro Brachola, assistido por Adriano Fonseca e com acompanhamento do preparador fÃsico Rui Ribeiro.
SEGURANÇA - Para Bruno Schmidt, a segurança não será um problema nem na arena de vôlei de praia, nem nas demais instalações olÃmpicas. O tema é assunto entre os atletas, após as notÃcias sobre possÃveis articulações de grupos terroristas. "A gente sabe o que está acontecendo na Europa e que o Brasil é o foco do mundo nesse momento. Mas a gente está se sentindo muito seguro. Basta andar pela Vila OlÃmpica. O Brasil disse que seria um dos paÃses mais seguros e dou total credibilidade a isso", afirmou.
Ao contrário dos demais atletas do vôlei de praia, hospedados na Urca, Alison e Bruno preferiram ficar com as demais delegações na Vila OlÃmpica, na Barra. A ideia é sentir o clima olÃmpico e interagir com os demais atletas. Os dois elogiaram as condições dos apartamentos, classificadas como "de primeiro mundo".
TATUAGEM - Apelidado por amigos de Mamute na época de estreia do filme A Era do Gelo, Alison chamou atenção pela tatuagem no braço esquerdo com os dizeres "Dias de luta. Dias de glória". Tirada de uma música do grupo Charlie Brown Junior, faz referência a uma fase difÃcil vivida por ele nos últimos quatro anos.
"Essa olimpÃada é a realização de mais um sonho incrÃvel. Superei muitas coisas nesses quatro anos. Mudei de time, voltei a morar em Vitória, saà de um jogador como o Emanuel, que era incrÃvel e me ensinou muita coisa. Tive uma lesão séria no joelho, um pouco parecida com a do Ronaldo Fenômeno. Poucas pessoas acreditavam nisso, mas a equipe por trás, os profissionais, médicos e fisioterapeutas acreditaram muito, e eu também. Hoje estou aqui de volta, representando meu paÃs, o que me dá muita alegria e motivação", disse o atleta.
Fonte: Estadão Conteúdo