30/10/2021 05h40
Ataque 'democrático' de mais de 100 gols impulsiona Atlético-MG no Brasileirão
Que o futebol é "um cobertor curto", você já deve ter escutado várias vezes. Afinal, é difÃcil aliar em um time a tão desejada ofensividade a uma defesa sólida. Mas é esse velho ditado que pode explicar de forma direta a diferença entre Atlético-MG e Flamengo, que se enfrentam neste sábado, à s 19h, no Maracanã, pelo Brasileirão. Únicos clubes que ultrapassaram a marca de 100 gols na temporada (107 e 133, respectivamente), eles levam a campo propostas completamente antagônicas. Enquanto o rubro-negro convive com a vulnerabilidade de uma defesa exposta - que faz contraponto ao ataque massacrante - o time mineiro tem no equilÃbrio e no conjunto sua melhor arma para passar por seus adversários.
E esse contexto de unidade do time pode ser visto na forma como Cuca elabora seus planos de jogo. O treinador dispõe de peças decisivas, como Hulk e Nacho, que juntos participaram diretamente de 60 oportunidades em que o time foi às redes, entre gols e assistências. Porém, em seu esquema, o treinador tenta dar opções de "vazão" para chegar ao ataque quando o jogo está mais "truncado", enquanto oferece a solidez necessária para esses atletas desenvolverem seu futebol.
Esse estilo de jogo traz heróis incomuns, como o volante Jair. Responsável por desarmar e interceptar as ações do adversário, ele também vem contribuindo nas ações ofensivas, através da saÃda rápida de jogo e, à s vezes, até aparecendo na área para deixar sua marca. Na vitória contra o Cuiabá, no último domingo, por 2 a 1, foi ele o autor do tento que garantiu a virada alvinegra. E para o camisa 8, esse gol deve-se à mentalidade do treinador, que oferece alternativas para que todos "pisem na área".
"Cada um tem uma maneira de ver nosso jogo. Muitas vezes o Nacho fica como segundo atacante. Outras, ele vem buscar o jogo e o Zaracho cai como ponta ou vem por dentro. Então, alguém sobe. A gente varia muito dentro do jogo. O importante é que a gente tem equilÃbrio defensivo e ofensivo e isso tem ajudado a gente muito", avalia.
Jogando ao seu lado, Allan é outro que sustenta essa ideia de jogo. O volante tem uma das melhores taxas de interceptações do campeonato (89,47%, segundo o Ãndice Footstats). Porém, seu papel não se limita somente a ser o "cão de guarda" alvinegro. Com Cuca, ele também ajuda na construção.
"Roubar bola tem muito a ver com o posicionamento. Busco antecipar as jogadas para estar em condições de dar um combate correto, mas a defesa não é uma questão individual, todos precisam estar atentos às suas funções. Ofensivamente, tenho liberdade para me movimentar dentro de um contexto que não deixe a equipe desorganizada. Mesmo jogando de volante eu gosto de ter a bola, gosto de ajudar a construir", explica.
Essa ideia estende-se a todos em um contexto que oferece várias alternativas para chegar ao gol do adversário. "Nosso grupo tem muita qualidade, a responsabilidade de fazer gols é de todo o time e não de alguns jogadores. Conseguimos ser perigosos de várias formas, em contra-ataques, bola parada, com jogadas individuais... É um mérito de todos os jogadores e da comissão técnica", completa o volante.
Cuca mesmo admite que cobra a participação de todo o time na construção ofensiva, não só das suas peças do ataque. A ideia é que o time "preencha" a área do adversário. "(Há) Muito estÃmulo e cobrança para que eles pisem na área. Você vai fazer gol se povoar. O Evaristo (de Macedo) me ensinou isso: tem que entrar na área, tem que pisar. Se você chega na área com quatro, cinco, sua chance é maior. Então, é algo que busco com meus atletas", explica.
DEMOCRACIA DO GOL - Essa é uma caracterÃstica comum aos times de Cuca. Se pegarmos um sucesso no Brasileiro recente, a campanha vitoriosa com o Palmeiras, em 2016, aquele time foi marcado por um conjunto combativo, mas que todos participavam das ações ofensivas. Prova disso é que dos que mais atuaram na caminhada rumo ao caneco, todos balançaram as redes. Isso fez com que aparecessem heróis improváveis, como o lateral-direito Fabiano, autor do gol do tÃtulo.
No Atlético, Cuca segue a mesma tônica. Dos que mais jogaram, só Dodô, reserva de Arana, e o titular Allan não foram à s redes. O volante, por sinal, diz não se importar, apesar de ser alvo de brincadeira dos colegas. "O pessoal pega no meu pé por isso (risos). Podia ter saÃdo aquele contra o River, teria sido um golaço. Mas vai sair no momento certoÂ…", explica o jogador. Quem sabe ele não será o próximo herói?
Fonte: Estadão Conteúdo