20/03/2020 19h00
Atletas e comitês olímpicos fazem pressão pelo adiamento da Olimpíada de Tóquio
Dirigentes esportivos, atletas e comitês olÃmpicos nacionais têm se manifestado nos últimos dias a favor da mudança de data dos Jogos de Tóquio, no Japão. O impacto de pandemia do novo coronavÃrus tem criado uma pressão sobre o Comitê OlÃmpico Internacional (COI) para mudar a data do evento, previsto para começar no dia 24 de julho. Apesar do ambiente de cobrança, as federações internacionais das modalidades ainda não manifestaram sobre o tema.
Atletas da natação e do atletismo, as duas provas mais nobres da OlimpÃada, já começam a demonstrar seu descontentamento com a postura do COI em não mudar a programação dos Jogos de Tóquio. Por causa da pandemia de coronavÃrus, muitos estão tendo de ficar em isolamento e sem possibilidade de treinar. Os clubes esportivos também estão fechados.
"É um ano que representa muito para nós atletas de alto rendimento. Eu não sou a favor. O mundo grita para uma outra situação, focada na saúde. Nosso planejamento está sendo recuado. Muita gente sem piscina e sem poder treinar, ou seja, sem conseguir seguir os planos de treinamento. Não cabe a mim decidir, mas sim falar sobre. Quanto mais a gente se unir e olhar para o próximo, vamos passar por essa", disse a nadadora Etiene Medeiros.
A programação da atleta foi totalmente prejudicada por causa do coronavÃrus. Ela estava em uma reta final de preparação para a seletiva olÃmpica, que seria de 20 a 25 de abril, mas o evento que garante vaga nos Jogos de Tóquio foi adiado para 22 a 27 de junho. Assim como ela, outro brasileiro importante da natação pediu adiamento dos Jogos: Bruno Fratus, que nas redes sociais questionou Kirsty Coventry, presidente da comissão dos atletas do COI.
"Kirsty, como colega nadador e atleta olÃmpico, eu te peço para reconsiderar e consultar outros atletas pelo mundo. Não tenho certeza se você está sabendo que muitos atletas, como eu, estão impossibilitados de treinar. Além disso, o conselho para 'continuar fazendo o que vocês estão fazendo' me parece desconectado da realidade quando você vê lÃderes mundiais diariamente na televisão pedindo para as pessoas se isolarem", disse.
Ciente das crÃticas e da pressão que vem sofrendo para mudar sua postura, Thomas Bach, presidente do COI, pediu um pouco de calma aos atletas. "Vamos continuar agindo de maneira responsável no interesse dos nossos atletas, mas respeitando os dois princÃpios: o primeiro, a saúde de todos nossos atletas e a contenção da contaminação dos vÃrus, e o segundo, protegendo o interesse dos atletas e dos esportes olÃmpicos, e esse foi espÃrito desta produtiva reunião", disse.
DIRIGENTES CRITICAM - O Japão tem a previsão de receber mais de 600 mil estrangeiros durante o perÃodo e garante até o momento que não pretende mudar a data. A postura irredutÃvel tem irritado personalidades do esporte a ponto de, na última terça-feira, representantes de comitês olÃmpicos nacionais debaterem em uma videoconferência o risco de se realizar um evento tão grande durante uma pandemia.
"As notÃcias que recebemos todos os dias são desconfortáveis para todos os paÃses do mundo, mas para nós, o mais importante é que nossos atletas não podem treinar e celebrar os Jogos em condições desiguais. Queremos que a OlimpÃada aconteça, mas com segurança", disse o presidente da entidade espanhola, Alejandro Blanco. Segundo o dirigente, os atletas locais estarão em desvantagem na OlimpÃada pois não têm conseguido treinar. A maioria está em confinamento, para evitar o contágio.
O Comitê Colombiano também manifestou preocupação com a realização da OlimpÃada. O pedido deles é para deixar a competição para depois. "A decisão mais prudente e, é claro, a mais respeitosa do Comitê OlÃmpico Internacional e dos organizadores de Tóquio é adiar os Jogos, caso não possam garantir a participação sem riscos", afirmou Baltazar Medida.
Potência olÃmpica, a Grã-Bretanha aumenta a lista de paÃses que têm apelado para adiar os jogos. Em entrevista ao jornal The Guardian o diretor da UK Athletics, órgão que rege o atletismo no Reino Unido, Nic Coward, revelou sentir uma angústia nos atletas. "Com o fechamento das instalações, a capacidade dos atletas de obterem a melhor forma possÃvel é comprometida na melhor das hipóteses. Isso está criando pressão intensa. As pessoas precisam entender isso", comentou.
O paÃs com mais mortes no mundo pelo novo coronavÃrus, a Itália, também pensa parecido. Presidente do comitê olÃmpico local por 14 anos e atual presidente da federação nacional de basquete, Giovanni Petrucci fez crÃticas pesadas. "Eu não sou contra a OlimpÃada, mas dizer que a OlimpÃada ainda vai continuar é um grande erro de comunicação", disse. "Não sou o único que pensa assim. Outros simplesmente não querem dizer isso", acrescentou.
Fonte: Estadão Conteúdo