28/01/2018 08h00
Canal em Deodoro recebe treinos da seleção e será sede do Mundial de Canoagem
O caminho para o Brasil chegar ao pódio da canoagem slalom na OlimpÃada de Tóquio, em 2020, é tortuoso, tem 30 milhões de litros de água e sensação térmica de 40ºC. É percorrido seis dias por semana e, só este ano, por pelo menos três meses. Mesmo assim, é enaltecido por quem o percorre como sendo "um dos melhores do mundo". Ninguém se queixa.
A promessa de que as instalações permanentes dos Jogos do Rio colocariam o PaÃs em outro patamar olÃmpico ainda é envolta em incertezas, mas desde o fim do ano passado pelo menos os atletas da slalom têm pouco do que se queixar. Parceria entre a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), o Comitê OlÃmpico do Brasil (COB) e a prefeitura do Rio permite que a equipe brasileira treine na corredeira artificial construÃda no Complexo de Deodoro para a última OlimpÃada.
"É um dos melhores canais que eu já remei em toda minha experiência como atleta", diz Ana Sátila, principal canoÃsta do Brasil e dona de dois pódios no Mundial do ano passado, na França. "O treinamento pra Tóquio está acontecendo desde que a gente acorda até a hora de dormir. Temos metas estabelecidas e precisamos treinar forte."
Apontada como uma das melhores e mais modernas pistas de canoagem slalom do mundo, o circuito de Deodoro passou quase um ano fechado. Em agosto, reportagem do Estado mostrou que a água havia ficado esverdeada por falta de tratamento e manutenção. Até mesmo jacarés foram retirados de lá.
A prefeitura do Rio recuperou o local e o equipamento vai receber em setembro o Mundial da categoria. O fato de poder treinar no mesmo local da competição mais importante do ano é comemorado pelos atletas brasileiros.
"Tem muita vantagem. O grande fator é você treinar na pista que vai competir. Se o Mundial fosse na França, a gente ia ter que treinar lá o máximo que pudesse. Como é no Brasil, estamos treinando muito mais que os outros", comenta Pedro Henrique Gonçalves, o Pepê, finalista nos Jogos do Rio, em 2016.
Desde dezembro, Ana Sátila e Pepê treinam com a equipe em Deodoro de segunda a sábado, pela manhã. À tarde, três vezes por semana, o grupo utiliza os equipamentos do CT Time Brasil, no Parque Aquático Maria Lenk. Antes, a equipe treinava em Foz do Iguaçu, mas em condições abaixo das ideais. Assim, a CBCa buscou apoio do COB.
"A equipe enfrentava dificuldades em Foz do Iguaçu, mais até em função do volume de água da represa. Isso dificultava à s vezes principalmente no perÃodo de inverno europeu, que dificultava treinamentos fora do PaÃs", explica Jorge Bichara, gerente geral de Alto Rendimento do COB. "Nosso investimento está relacionado a questões de logÃstica e eles fazem uso do Maria Lenk para o treinamento fora dágua e para fase de recuperação, além da parte de musculação e as avaliações que fizemos no nosso laboratório."
Para Cássio Petry, técnico da seleção brasileira de canoagem slalom, os treinos em Deodoro têm potencial de colocar a modalidade em outro patamar. "Nossa equipe é forte, mas tenho certeza de que vai crescer muito. É um grupo de elite, alguns tiveram boa participação no Rio, e com essa volta do canal de Deodoro, juntamente com a estrutura do COB, vamos ter um grande crescimento."
Fonte: Estadão Conteúdo