24/07/2021 17h10
Com 'cara nova', equipe do Brasil terá 19 novatos nas piscinas de Tóquio
O Centro Aquático será um lugar especial nesta primeira semana dos Jogos OlÃmpicos de Tóquio. O complexo esportivo recebe as provas de natação e as grandes estrelas internacionais da modalidade. Haverá uma ausência, a de Michael Phelps, o americano que colecionou medalhas e recordes nas últimas três edições dos Jogos. Outros, no entanto, aparecem para ocupar os lugares vagos. O time do Brasil tem muitas caras novas, 19 ao todo, mas também muita esperança, sobretudo nas braçadas rápidas e certeiras de Bruno Fratus, no 50m livre, e no revezamento masculino. O PaÃs é forte na Maratona, mas em outras águas.
O Centro Aquático de Tóquio foi construÃdo especialmente para a OlimpÃada e teve um custo de US$ 542 milhões (R$ 3,3 bilhões), sendo uma das últimas instalações esportivas a ficar pronta para a disputa.
Lá, atletas como Katie Ledecky e Caeleb Dressel, ambos dos Estados Unidos, devem assumir o protagonismo e faturar muitos pódios. Dressel é apontado como o substituto de Phelps. Já a delegação brasileira conta com 26 competidores nas provas de piscina. O time passa por um perÃodo de transição e reformulação, quando os ciclos olÃmpicos acabam para uns e se abrem para outros.
A maior chance de medalha individual do Brasil é com o velocista Fratus. Ele herda as braçadas de Cesar Cielo, ouro nos Jogos OlÃmpicos de Pequim, em 2008, na mesma prova.
As façanhas da natação são sempre acompanhadas por torcedores entusiasmados. Desta vez os atletas vão nadar para eles mesmos, para os colegas e treinadores. Estarão sozinhos como nos treinos durante os quatro anos de uma edição para a outra - em Tóquio, foram cinco em função do adiamento por causa da covid-19.
A arena onde muitos vão brilhar tem capacidade para 15 mil espectadores. Receberá, além das provas de natação, as disputas de saltos ornamentais e nado artÃstico. Mas o que mais chama atenção no ousado projeto japonês é a forma como ele foi construÃdo. O teto de 7 mil toneladas foi feito no chão e só depois içado para a posição final. É apoiado em quatro colunas em obra incrÃvel de engenharia. Tal método de construção fez com que o custo fosse um pouco menor e também ficasse pronto mais rápido. O Centro Aquático dos Jogos de Tóquio conta com uma piscina olÃmpica de 50 metros com borda que pode ser movida, de modo a transformá-la na distância de 25 metros. A profundidade também pode ser alterada.
O local tem ainda uma piscina de mergulho de maior profundidade, para os saltos ornamentais, uma piscina reserva e uma área de treinamento. Possui equipamentos acessÃveis a cadeirantes e pessoas com necessidades especiais.
Outro ponto relevante da arena aquática é que ela conta com painéis solares e um sistema de equipamento geotermal que é utilizado para aquecer a água da piscina. Isso conversa diretamente com os padrões de sustentabilidade dos Jogos do Japão. As provas de natação começam neste sábado, à s 7h (horário de BrasÃlia). As finais serão disputadas pela manhã no Japão, à noite no horário do Brasil.
RENOVAÇÃO - O Brasil levou 31 atletas. Mesmo que boa parte seja de iniciantes olÃmpicos, eles já carregam uma boa bagagem internacional. Muitos já participaram do Campeonato Mundial, Pan ou de Jogos OlÃmpicos da Juventude. Caio Pumputis, um dos grandes nomes da nova geração, soma 42 torneios internacionais. Ele conversou com o Estadão no mês passado. "A renovação tem de existir. Nos Estados Unidos isso é constante. Sempre tem molecada que aparece com força. Nunca tive problema com pressão. A bagagem vai ajudar a manter o controle", disse o nadador de 22 anos, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos nos 200m medley e dono do Ãndice olÃmpico na mesma prova - também vai nadar os 100m peito.
"A maioria dos atletas já tem vivência internacional. Isso é importante para a nova geração. Ver atletas mais novos na primeira OlimpÃada motiva os atletas da base", opinou Viviane Jungblut antes de seguir para Tóquio. Ela foi classificada para os 1500m livre com o recorde brasileiro de 16min14s00.
Renato Cordani, chefe de equipe da natação em Tóquio, afirmou que o objetivo mÃnimo dos nadadores é alcançar a final. Depois, será a hora de pensar nas medalhas que não vieram na última edição dos Jogos. Em 2016, o PaÃs conquistou o recorde de finais na história olÃmpica - oito - e participou de dez semifinais. Foram quebrados quatro recordes sul-americanos e um brasileiro. Mas ficou faltando subir ao pódio.
"Nos Jogos do Rio, a natação ficou sem medalhas, e vamos em busca de voltar ao pódio e povoar as finais e semifinais em Tóquio", disse, em junho, o dirigente da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos (CBDA).
É preciso ressaltar que a pandemia dificultou a vida de todos, sem lugar para nadar, com academias fechadas, mas a superação, por natureza, faz parte da vida dos grandes esportistas.
Fonte: Estadão Conteúdo