15/02/2021 18h16
Comitê Olímpico dos EUA diz que não punirá atletas por protestos pacíficos
O Comitê OlÃmpico e ParalÃmpico dos Estados Unidos (USOPC) surpreendeu nesta quinta-feira ao anunciar que não vai punir atletas por eventuais protestos e demonstrações de apoio a causas de justiça social ou racial. Além disso, a entidade pediu mudanças na Regra 50 da Carta OlÃmpica, que impede este tipo de manifestações nos eventos esportivos.
"Tomamos a decisão de que os atletas do 'Team USA' não será punidos pelo USOPC por demonstrações pacÃficas e respeitosas em apoio à justiça social e racial para todos os seres humanos", diz comunicado assinado pela CEO do Comitê, Sarah Hirshland.
"O USOPC valoriza as vozes dos atletas americanos e acredita no direito deles de defender causas de justiça social e racial e que eles são uma força positiva para a mudança, totalmente alinhados com os valores fundamentais de igualdade que definem o 'Team USA' e os movimentos olÃmpicos e paralÃmpicos", completou a dirigente.
Além disso, a CEO pediu ao Comitê OlÃmpico Internacional (COI) para alterar a controversa Regra 50, que impede "qualquer demonstração de propaganda polÃtica, religiosa ou racial em qualquer área, local ou equipamento da competição olÃmpica". "Vamos continuar a trabalhar com o Comitê OlÃmpico Internacional e com o Comitê ParalÃmpico Internacional para que consideram a possibilidade de fazer uma emenda na Seção 2.2 da Regra 50 da Carta OlÃmpica."
Ela alega que a questão dos direitos humanos não se enquadram nesta regra. "É necessário afirmar inequivocadamente que os direitos humanos não são uma questão polÃtica e que pedidos pacÃficos por igualdade e equidade não podem se confundir com demonstrações de divisão."
No mesmo comunicado, Hirshland pediu desculpas em nome da entidade por não ter apoiado atletas como John Carlos e Tommie Smith, que se tornaram famosos nos Jogos OlÃmpicos da Cidade do México, em 1968, quando protestaram contra a segregação racial nos EUA com os punhos apontados para o céu.
"Está claro agora que esta organização deveria ter apoiado, ao invés de ter condenado. Por isso, pedimos desculpas. E espero por um futuro onde as regras serão claras, onde as intenções serão melhor compreendidas e as vozes serão empoderadas", disse a dirigente.
Hirshland também lamentou por ter repreendido os atletas Gwen Berry, do lançamento do martelo, e Race Imboden, da esgrima, por terem violado a Regra 50 durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, no ano passado. Na ocasião, Berry levantou o punho e Imboden se ajoelhou no pódio da competição.
Fonte: Estadão Conteúdo