11/04/2016 17h57
Conselho Federal ataca Romário por emenda para tornar técnico qualquer ex-atleta
Como jogador, Romário fez fama por não gostar muito de treinar. Agora como senador pelo PSB do Rio de Janeiro, ele está em crise deflagrada contra os educadores fÃsicos. Na semana passada, como redator, apresentou uma emenda ao Projeto de Lei 522/2013, do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), para tornar lei que qualquer ex-atleta, como ele, possa exercer a atividade de técnico de modalidade coletiva desde que comprove apenas cinco anos de prática esportiva. A legislação em vigor só aceita que educadores fÃsicos exerçam tal profissão.
"Esse projeto coloca em risco as crianças e os atletas de forma geral. Esse ex-atleta vai ser também treinador em clube, colégio, com crianças. Qual o conhecimento de pedagogia desse ex-atleta? De anatomia, de psicologia, de preparação fÃsica, para que essas crianças não sofram danos morais e sociais? É um absurdo. Diria que é um projeto irresponsável", atacou Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação FÃsica (CFEF).
Steinhilber alega ter sido pego de surpresa com o posicionamento de Romário. Segundo ele, enquanto deputado, Romário, à época presidente da Comissão de Esporte da Câmara, defendeu "com todas as letras" que todo treinador deveria ser um profissional de educação fÃsica. Agora Romário pensa diferente.
A profissão de educador fÃsico é regulamentada pela Lei 9696/98, exigindo que, para se tornar técnico, um profissional cumpra jornada acadêmica mÃnima de 3.200 horas. O PL 522/2013, do qual Romário é relator, visa revogar a Lei 8.650/1993 (que trata apenas do exercÃcio da profissão de treinador de futebol), abrangendo todas as modalidades coletivas.
Em "Nota de Repúdio" publicada também nesta segunda-feira, a CFEF lembra que os ex-atletas não trabalharão apenas no alto rendimento, com o auxÃlio de uma equipe multidisciplinar, mas principalmente com atletas em formação. "O exercÃcio profissional na área do Esporte pressupõe o aprendizado de teorias, de procedimentos técnicos, de competências especÃficas e a prática de estágios em ambientes próprios, sob orientação e supervisão, além da responsabilidade profissional ditada por um código de ética", alegou o CFEF.
Ao rebater as crÃticas, Romário escancarou ainda mais o conflito, colocando em xeque o papel do profissional de educação fÃsica. "Alguma faculdade de Educação FÃsica forma 'técnicos' desta ou daquela modalidade esportiva? Ao longo dos anos, quantos formandos em Educação FÃsica se revelaram 'técnicos' de futebol, de vôlei, de basquete, de polo aquático, de handebol, de futsal, enfim, a partir dos ensinamentos recebidos na formação universitária?", questionou, em comunicado.
Para ele, o técnico é quem "define a estratégia de jogo, treina jogadas e arma o time de acordo com o adversário" e "isso não se aprende na aula acadêmica". No entender de Romário, técnico não comanda alongamentos, aquecimentos e exercÃcios de recuperação fÃsica, que são, esses sim, de responsabilidade dos educadores fÃsicos.
Em seu comunicado, Romário diz que a nota do CFEF é uma "tentativa egoÃsta de manter sobre atividade especÃfica uma inoportuna reserva de mercado" e lembra que já apresentou outras propostas, como deputado e senador, que defendem a profissão de educador fÃsico.
Fonte: Estadão Conteúdo