15/02/2021 18h12
Em 1º jogo desde março, seleção feminina estreia camisa sem estrelas nesta sexta
A seleção brasileira feminina volta a campo nesta sexta-feira, à s 21h30, para enfrentar o Equador, com uma grande novidade. A partir do amistoso agendado para a Neo QuÃmica Arena, a equipe vai utilizar em seu uniforme um escudo exclusivo, sem estrelas, que são alusivas aos cinco tÃtulos da Copa do Mundo do time masculino.
De acordo com comunicado divulgado pela CBF e pela Nike, a ideia de tirar as estrelas é "valorizar as conquistas das mulheres que construÃram a rica história da seleção feminina ao longo dos anos e inspirar uma nova geração de atletas" no momento em que o futebol entre as mulheres está em crescimento no Brasil.
A coleção, agora sem as estrelas, foi lançada em 2019, para o Mundial da França, e traz a inscrição "Mulheres Guerreiras do Brasil". A atacante Debinha, que estrela a campanha dos novos uniformes ao lado de Bia Zaneratto, Adriana e Andressinha, destaca que a ação valoriza a história construÃda pelas jogadoras da seleção feminina.
"A retirada das cinco estrelas representa um grande passo para nós mulheres que amamos o futebol. Valorizamos demais o peso da camisa mais respeitada do mundo, mas escrevemos a nossa própria história. Enaltecer as nossas conquistas é fortalecer o futebol feminino e a base para que futuras Debinhas, Andressinhas, Adrianas e Bias sejam regra, não exceção", diz, no material divulgado pela Nike, Debinha, artilheira da "Era Pia Sundhage" na seleção, com seis gols marcados.
Com a estreia do novo detalhe do uniforme, o confronto é o primeiro dos dois que o Brasil fará contra o Equador neste fim de ano. O outro será na próxima terça-feira, novamente em São Paulo, no estádio do Morumbi, também às 21h30.
O duelo, aliás, encerrará um hiato de quase nove meses sem compromissos da seleção, algo que tem relação direta, evidentemente, com a pandemia do coronavÃrus. A equipe atuou três vezes em março, em um torneio amistoso disputado na França, e depois cancelou toda a sua programação, incluindo amistosos com a Costa Rica e os Estados Unidos em abril, e o adiamento da OlimpÃada para 2021.
O rival desses amistosos, inclusive, seria outro. O Brasil enfrentaria a Argentina, que pediu o adiamento dos jogos, alegando o aumento dos casos de coronavÃrus na Europa, onde estão presentes a maioria das atletas que costumam ser convocadas pelo técnico Carlos Borrello.
Assim, para que a seleção disputasse dois jogos no fim de 2020, intensificando a preparação para a OlimpÃada de Tóquio, a CBF acertou a realização dos amistosos com o Equador. Será, com isso, um reencontro com a técnica Emily Lima, que dirigiu a equipe entre novembro de 2016 e setembro de 2017, quando foi demitida.
Agora, então, ela está à frente do Equador, que em seu último duelo com o Brasil perdeu por 8 a 0, na Copa América de 2018. Os gols daquela partida foram marcados por Cristiane (2), Bia Zaneratto (2), Andressinha, Formiga, Rafaelle e Debinha.
Embora não atue desde março, a seleção feminina não estava completamente paralisada nesse perÃodo. Com foco na OlimpÃada, a técnica Pia Sundhage chamou atletas para dois perÃodos de treino. Eles foram em Portugal, com atletas que atuam no exterior, e na Granja Comary, restrita a jogadoras em atividade no futebol nacional.
Pia, que precisou cortar Marta, pois a craque contraiu o coronavÃrus, convocou algumas novatas para os amistosos da seleção. A equipe pode ter, assim, até oito estreantes com a camisa do Brasil nos confrontos com o Equador.
São os casos de Duda e Julia Bianchi, e a defensora Camila, todas do AvaÃ/Kindermann, e a atacante Jaqueline, do São Paulo, que podem atuar pela primeira vez pelo Brasil, assim como as meias Ana Vitória, do Benfica, e Valéria, do Madrid CFF, além das atacantes Giovana, do Barcelona, e Nycole, do Benfica, que já haviam participado de perÃodos de treinos com a equipe, e que agora foram chamadas pela primeira vez para jogos internacionais.
"Eu gosto muito quando temos jogadoras novas, porque lembram as mais experientes que não podem relaxar e achar que a vaga está garantida. Elas são novas ainda, comentem alguns erros no campo, mas essa mistura é realmente interessante. Eu acho que quando tem jogadoras mais novas, elas sempre tentam dar o melhor delas. As mais experientes sentem isso e acabam se dedicando ainda mais. Além disso, temos jogadoras muito técnicas que me surpreendem", disse Pia, em entrevista coletiva.
Fonte: Estadão Conteúdo