29/04/2016 07h48
Em evento da tocha, Ban Ki-Moon pede solução rápida e democrática para o Brasil
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu que a crise polÃtica brasileira seja solucionada "o mais rapidamente possÃvel" e que a Constituição e a democracia sejam respeitadas no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em um evento para marcar a entrada da chama olÃmpica na sede da ONU, foram as perguntas sobre a crise polÃtica no Brasil que dominaram o evento. Assim, Ban apelou pela "transparência" no processo no PaÃs.
Apesar de alertar que o assunto era um problema interno nacional, Ban insistiu que "está seguindo o que está acontecendo no Brasil". "Como secretário-geral da ONU, eu sinceramente espero que haja o resultado de um processo muito transparente e que siga os procedimentos democráticos e a Constituição. Isso é o que eu peço e o que espero das instituições democráticas do PaÃs nos próximos meses", disse.
"Fiquei encorajado de ver a presidente Dilma Rousseff em Nova York, na cerimônia de assinatura do Acordo Climático. Como secretário-geral da ONU, minha única esperança é de que essa atual crise seja resolvida o mais rápido possÃvel, de maneira transparente, com os procedimentos democráticos e constitucionais", completou.
Thomas Bach, presidente do Comitê OlÃmpico Internacional, também reconheceu que o Brasil vive "um crise" e que a sociedade está "dividida". Mas apostou que a chama olÃmpica e o evento vão "unir os brasileiros". "Jogos OlÃmpicos são sempre desafiadores", disse. "Os últimos meses são sempre mais difÃceis", afirmou.
"O Brasil está numa situação difÃcil, um paÃs com profundas divisões neste momento. Os Jogos, portanto, são uma grande oportunidade e todos podem estar orgulhosos por serem brasileiros. Estamos confiantes de que teremos uma OlimpÃada excelente", disse.
Bach, porém, se negou a comentar declarações da equipe de procuradores de que as obras do Rio-2016 serão as próximas a serem investigadas na Operação Lava Jato. "Não vou especular sobre as intenções de procuradores no Brasil. São independentes e tenho certeza de que vão trabalhar dentro das regras do PaÃs. Do meu lado, ouvimos dos organizadores e do ministro de Esporte que todos os trabalhos foram feitos de forma transparente e essa é a informação que confiamos", disse.
Com o PaÃs vivendo sua pior crise econômica em décadas, o governo brasileiro e os dirigentes esportivos usaram a cerimônia na ONU com a chama olÃmpica na manhã desta sexta-feira em Genebra para garantir que o evento será "economicamente sustentável". "Como um paÃs em desenvolvimento, tivemos muitos desafios na preparação dos Jogos", disse o ministro do Esporte, Ricardo Leyser. "Mas quanto maior o desafio, maior o legado. Serão Jogos inesquecÃveis", garantiu.
Falando em nome da presidente Dilma Rousseff, Leyser insistiu que esporte, desenvolvimento e paz "são complementares". "A chama representa os valores do esporte como forma de garantir a paz", insistiu. "O Brasil está orgulhoso a ter os Jogos, pela primeira vez na América do Sul. Um povo que luta por sua dignidade", afirmou.
O governo também deixou claro que, apesar da crise, o evento terá um impacto positivo. "O Rio-2016 é resultado de mais de uma década de investimentos sociais e em infraestrutura. Ela gerou emprego e revitalizou o Rio", afirmou.
Leyser também minimizou o custo público do evento. "Apesar de envolver significativos investimentos públicos, ele foi pago essencialmente pelo setor privado. A fortaleza da economia brasileira e dos empresários foi crucial para o evento. Temos confiança de que os jogos serão economicamente e socialmente sustentáveis. Todo o paÃs vai se beneficiar e o Brasil vai ser um melhor lugar para viver depois", disse.
Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador do Rio-2016, também insistiu no impacto econômico do evento. "Ele será economicamente sustentável e irá transformar o Rio. Prometemos um legado tangÃvel. Os brasileiro farão grandes jogos e vão se sentir mais confiante. Os Jogos vão mostrar que o Brasil vai sempre sair de problemas mais fortes e comemoraremos", disse Nuzman.
"O Rio está pronto para fazer historia. Ficamos mais fortes quando temos obstáculos", completou. Segundo ele, os organizadores "não tem um segundo a perder".
Fonte: Estadão Conteúdo