24/06/2021 07h10
Funcionária da Receita Federal será árbitra na ginástica nos Jogos de Tóquio
"É preciso ter rigor e estar atenta a todos os detalhes." É assim que Elaine Gueriero define o seu trabalho, seja como árbitra de ginástica artÃstica ou como funcionária da Receita Federal. São funções muito distintas, mas que se assemelham em relação ao cuidado e atenção com qualquer ato que pode passar despercebido aos olhos de quem é leigo.
Elaine, de 38 anos, será a única árbitra brasileira na ginástica artÃstica nos Jogos OlÃmpicos de Tóquio. Para viajar ao Japão no próximo dia 19, ela precisou de uma autorização especial com base na Lei Pelé e no Estatuto do Servidor, que liberou o seu afastamento temporário da Delegacia Especial da Receita Federal de Pessoas FÃsicas, onde trabalha em São Paulo.
Por alguns dias, Elaine vai deixar a equipe que fiscaliza principalmente declarações de Imposto de Renda para fiscalizar o desempenho das atletas na OlimpÃada. Em Tóquio, sua função será conferir e dar nota à execução dos movimentos das ginastas durante as apresentações.
Para entender como uma analista tributária da Receita Federal foi parar nos Jogos OlÃmpicos é preciso voltar no tempo. Para ser mais exato, 32 anos atrás. "Desde que eu me conheço por gente estou envolvida com a ginástica. Minha mãe me levou com seis anos para fazer um teste no Centro OlÃmpico e, desde então, a ginástica faz parte da minha vida. Fui atleta até os 16 anos, quando prestei vestibular para Educação FÃsica e fiz o meu primeiro curso de árbitra", conta Elaine.
Depois de trabalhar como treinadora por um tempo, Elaine resolveu mudar de carreira. Mas nem tanto. "Parti para o concurso público. Trabalhei no banco Nossa Caixa, no Tribunal Regional Federal e desde 2014 estou na Receita Federal. A ginástica, no entanto, é muito forte e importante para mim, não tem como me afastar. Por isso, continuei trabalhando como árbitra nas competições aos fins de semana."
Ano a ano Elaine foi ganhando espaço na arbitragem da ginástica artÃstica. Ela começou a sua trajetória em competições regionais e estaduais, depois foi para torneios nacionais e, na sequência, para campeonatos internacionais. Após atuar como árbitra assistente nos Jogos do Rio, em 2016, acabou tendo papel de destaque em várias competições internacionais como, por exemplo, os Jogos OlÃmpicos da Juventude, em Buenos Aires, em 2018.
"Tanto na Receita Federal quanto na ginástica é preciso estar atualizada, estudando o tempo todo. Para me manter como árbitra internacional tenho que, a cada quatro anos, fazer um curso e passar por uma prova. Com relação ao meu trabalho na Receita, estou fazendo a minha segunda pós-graduação em Direito Tributário porque a legislação está em constante mudança e nós temos de estar atualizados", conta.
A quantidade de provas que Elaine trabalhará nos Jogos OlÃmpicos de Tóquio depende do desempenho da equipe brasileira de ginástica artÃstica. Isso porque o regulamento a impede de atuar em finais com atletas do PaÃs. E seu palpite é que o Brasil pode sim conquistar medalhas em Tóquio.
"A Flávia Saraiva e a Rebeca Andrade têm grandes possibilidades de chegar à s finais. Podem conseguir excelentes resultados, como já obtiveram em outras competições, e brigar por medalha com chances reais de pódio", aposta. Já com relação ao seu próprio desempenho em Tóquio, ela é mais modesta. "Quero fazer o meu melhor, aplicar tudo que estudei nos últimos anos e ser a mais justa possÃvel."
Fonte: Estadão Conteúdo