13/05/2019 09h51
Inelegível, André Brasil promete lutar até o fim e espera resultado de apelação
André Brasil promete lutar até o fim para voltar a ser um atleta paralÃmpico. Um dos maiores nadadores adaptados do PaÃs - ele participou de três edições dos Jogos ParalÃmpicos, cinco Mundiais e três ParaPan - foi reclassificado e considerado inelegÃvel para competir. "A palavra que melhor resume o que estou sentindo é indignação", disse o atleta à reportagem do Estado.
Aos 34 anos, André Brasil garante que não quer ser aposentado na marra e que tinha como meta Tóquio-2020. Agora, o quatro vezes recordista mundial espera o resultado de uma apelação que o Comitê OlÃmpico Brasileiro (CPB) enviou ao Comitê ParalÃmpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) na quinta-feira para tentar uma nova avaliação.
"Contestamos a atitude da chefe de classificação durante o Open Internacional Loterias Caixa. Ela respondia por todo um sistema. Assinamos um documento entendendo que a classificação é um processo observatório e não pode ter interferências externas. Ela tomava a folha das pessoas que estavam fazendo a minha avaliação, fazia comentários, dando a entender que ela estava influenciando ou discordando de algumas análises sobre mim", explica.
A natação paralÃmpica tem 14 classes, sendo que quanto maior a deficiência do atleta, menor o número da classe. De 11 a 13 estão atletas com deficiência visual. Na 14, com deficiência intelectual. André Brasil fazia parte da categoria para competidores com limitações fÃsico-motoras. Era S10, mas, na avaliação, ele foi considerado inelegÃvel como paralÃmpico.
"Queremos anular o que foi feito no dia 24 de abril para que eu possa ter uma nova chance de classificação, de uma maneira transparente agora", disse o campeão paralÃmpico, que reuniu uma série de exames e documentos para sustentar seu argumento. O CPB demonstrou total apoio e reforçou sua defesa.
"Eu não estou lutando pelo direito próprio, estou tentando conquistar um direito de qualquer pessoa com uma limitação de fazer parte de um nicho. Se não sou atleta paralÃmpico, como só agora me dizem, e se não sou atleta olÃmpico, porque o meu corpo não permite, o que eu sou então? Onde eu me enquadro?", questiona ao Estado.
André Brasil tem uma deficiência aparente na perna esquerda decorrente de uma poliomielite por reação à vacina quando tinha três meses de vida. Por causa da sequela, ele tem apenas 25% de força no pé, um pouco atrofiado, que quase não mexe como o da direita. "É confuso na minha cabeça olhar para minhas pernas, escutar dos meus adversários e amigos que, visivelmente, eu sou o atleta que tem mais limitação fÃsicas. Mas não poder competir?", questionou.
Segundo o IPC, os processos no Comitê de Apelação de Classificação são confidenciais. Depois de o documento ter sido protocolado, a entidade tem 28 dias para concluir uma avaliação inicial e reunir um grupo independente que ficará responsável por dar continuidade à apelação. "Para mim, esse continua sendo o meu trabalho, só não quero perder o direito de escolher quando vou fechar o ciclo, que é um direito que eles estão me tirando", desabafou.
Seu projeto era disputar a ParalimpÃada de Tóquio-2020 e continuar nadando por mais alguns anos, mas sem pretensões de chegar a Paris-2024. Por ter se tornado inelegÃvel, ele não pôde fazer Ãndice para o ParaPan, em Lima, e o Mundial, em Londres, neste ano. Então, está fora destas duas competições.
"O duro é, ao final de tudo isso, entender que da forma mais cruel alguém te tira o direito de decidir algo na sua vida. Estou sendo impedido de progredir naquilo que gostaria de fazer no esporte e, principalmente, decidir a hora que devo parar. Eu queria poder disputar minha quarta ParalimpÃada", avisou o atleta, que desde que se tornou inelegÃvel tem evitado entrar na piscina da Companhia Athletica, onde treina, em São Paulo, por causa da tristeza pela situação - ele aceitou posar para foto no local a pedido do Estado.
Fonte: Estadão Conteúdo