07/12/2016 20h30
Investigação sobre voo da Chapecoense vai tratar caso como homicídio culposo
A primeira reunião entre autoridades colombianas, bolivianas e brasileiras sobre as causas do acidente com o avião da Chapecoense definiu nesta quarta-feira, em Santa Cruz de la Sierra, na BolÃvia, que a linha de investigação será por homicÃdio culposo. A tipificação é usada quando se entende que não existiu intenção de matar, porém houve imprudência.
A tese é de autoria da Colômbia, paÃs onde o voo da companhia aérea LaMia caiu na semana passada e causou 71 mortes. A procuradoria-geral do paÃs apresentou as primeiras conclusões da investigação no encontro na cidade boliviana de onde saiu o avião fretado que iria até MedellÃn.
Os integrantes do Ministério Público da BolÃvia revelaram que foi já instaurada investigação formal por homicÃdio culposo. Houve apreensão de grande quantidade de documentos na sede da empresa LaMia e a prisão temporária de três pessoas ligadas à companhia aérea. A investigação está a cargo de seis procuradores.
Um trabalho em conjunto de Brasil, BolÃvia e Colômbia vai tentar trocar informações sobre as causas do acidente. O grupo vai investir a responsabilidade de servidores da Direção Geral da Aeronáutica Civil (DGAC) e da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (Aasana), da BolÃvia, em possÃveis atos de corrupção em autorizações de voo da LaMia. Há indÃcios de que em diversas viagens a empresa teria voado no limite da autonomia da aeronave para economizar custos.
Do Brasil, estiveram presentes os procuradores da República Wellington Saraiva e Carlos Humberto Prola Junior, de Chapecó (SC). A reunião foi convocada pelo procurador-geral da BolÃvia, Ramiro Guerrero, que apura informações de outro desdobramento do acidente.
Segundo o jornal boliviano El Deber, Guerrero quer investigar a busca por refúgio no Brasil de Celia Castedo, funcionária da Aasana. Ela procurou a cidade de Corumbá (MS) por ter recebido ameaças.
Celia fez observações de que o plano de voo da aeronave era inadequado, por prever um tempo de viagem incompatÃvel com a quantidade de combustÃvel no tanque. Pelas investigações preliminares na Colômbia, o avião caiu por falta de combustÃvel.
O procurador brasileiro Wellington Saraiva, da Procuradoria Geral da República (PGR), prometeu investigar se os outros voos da LaMia que passaram pelo PaÃs tiveram irregularidades. "Vamos apurar se houve responsabilidade do órgão público brasileiro ao conceder autorizações de voos irregulares", afirmou. Entre as viagens da empresa boliviana no Brasil, está a vinda da seleção da Argentina para Belo Horizonte, no mês passado.
Na Colômbia, a Procuradoria de Antioquia coletou informações sobre as necropsias das vÃtimas, documentos médicos e relatos de testemunha. O Ministério Público Federal do Brasil propôs criar interação direta entre os paÃses para intercâmbio de documentos, realização de perÃcias e coletas de provas testemunhais.
Fonte: Estadão Conteúdo