23/08/2021 16h10
Lateral do Bayern escreve para refugiados paralímpicos: 'O time mais corajoso'
O lateral canadense do Bayern de Munique, Alphonso Davies, escreveu uma carta para a ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, nesta segunda, dizendo que o time de refugiados paralÃmpicos é "o mais corajoso do mundo". Com apenas 20 anos, Davies é um dos embaixadores do órgão que auxilia pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas em todo mundo.
Antes de fazer sucesso na Alemanha, o jogador nasceu e passou os cinco primeiros anos de sua vida em um campo de refugiados em Gana, chamado Buduburam. Foi só apenas após esse perÃodo que ele e sua famÃlia, fugindo da guerra civil na Libéria, foram realocados no Canadá. O talento do menino com a bola chamou a atenção na escola católica que estudava na cidade de Edmonton, provÃncia de Alberta. Sua professora entrou em contato com Tim Adams, fundador de um projeto que ajuda crianças que moram em regiões pobres a arcar com os custos de participar da liga de futebol da região.
"Por favor, saibam disso: no momento em que vocês mergulham na água, se preparam para lançar, pisam na arena, saibam que vocês não estão sozinhos", disse Davies na carta. "O mundo está com vocês, incluindo 82 milhões de pessoas deslocadas, 12 das quais estão vivendo com uma deficiência."
O atleta do Bayern afirmou que nem todos entendem a trajetória dos refugiados. As experiências que tiveram, as coisas que viram, a discriminação que enfrentaram. Mas por conta de sua história, ele compreende a situação e isso é uma parte importante de quem ele é hoje.
"Eu li suas histórias e aprendi sobre as jornadas pelas quais vocês passaram. Vocês são a equipe esportiva mais corajosa do mundo agora", disse. Ressaltando que, apesar das dificuldades, eles nunca desistiram, Davies lembrou do trabalho duro e determinação que levaram os integrantes da equipe aos Jogos ParalÃmpicos de Tóquio-2020.
"Vocês são referências agora, com o poder de inspirar outros", afirmou o canadense. Ele apontou que a performance dos refugiados no Japão vai mudar a vida das pessoas. Jovens e refugiados que, através do esporte, irão acreditar que podem ser bem-sucedidos e se tornarão "as próximas enfermeiras e os próximos professores e cientistas".
A ParalÃmpiada começa nesta terça, com aproximadamente 4.400 atletas competindo em 22 esportes. O time de refugiados é formado por seis atletas. Parfait Hakizimana, lutador de taekwondo do Burundi, pequeno paÃs da Ãfrica Oriental onde se encontra a nascente do Rio Nilo, é o primeiro. A canoÃsta Anas Al Khalifa, Alia Issa, do lançamento de taco, e o nadador Ibrahim Al Hussein são os sÃrios que fazem parte da equipe. Shahrad Nasajpour, iraniano do lançamento de disco e Abbas Karimi, nadador afegão e um dos porta-bandeiras da equipe, completam o grupo.
Na OlimpÃada de Tóquio, 29 atletas de 11 paÃses competiram em 12 esportes. Por conta do domÃnio do grupo fundamentalista islâmico Taleban no Afeganistão, a lutadora de taekwondo Zakia Khudadadi e o corredor Hossain Rasouli foram impedidos de participar dos Jogos. Khudadadi pediu ajuda na última semana para realizar seu sonho de ser a primeira mulher afegã em uma ParalÃmpiada.
"Estamos aqui representando as pessoas de todo o mundo que são refugiados, por isso todos nós temos trabalhado muito para enviar uma mensagem de esperança e fazer com que esta equipe mostre isso", disse a chefe de missão e ex-nadadora paralÃmpica Illeana Rodriguez.
Fonte: Estadão Conteúdo