01/05/2019 05h40
Morte de Senna marcou o pior fim de semana da história da Fórmula 1
O acidente de Ayrton Senna foi o desfecho trágico do pior fim de semana da história da Fórmula 1. O GP da San Marino de 1994 teve as mortes do tricampeão no domingo e do austrÃaco Roland Ratzenberger no sábado, fora o grave acidente de Rubens Barrichello na sexta-feira, além de uma outra forte batida na largada da prova de domingo entre dois carros.
A sequência de tragédias chocou a Fórmula 1 e levou a categoria a repensar medidas. Desde 1982, a competição não passava pelo abalo da morte de um piloto e depois da série de incidentes em Ãmola, as alterações nas estruturas dos carros e nos dispositivos de segurança deram à Fórmula 1 o maior perÃodo sem acidentes fatais da história. Somente em outubro de 2014, no GP do Japão, a batida do francês Jules Bianchi pôs fim nessa tranquilidade - ele faleceu em 17 de julho de 2015.
O triste GP de San Marino tem entre os principais antecedentes a mudança no regulamento da Fórmula 1 para aquele ano. Os carros deixaram de ter vários dispositivos eletrônicos, como a suspensão ativa. A alteração procurou tornar a competição mais equilibrada depois de temporadas de domÃnio da Williams, porém deixou os bólidos mais instáveis e difÃceis de serem guiados.
Em testes privados, por exemplo, o francês Jean Alesi bateu forte com a Ferrari e perdeu algumas provas daquele ano. A temporada teve inÃcio com provas em Interlagos, no GP do Brasil, e em Aida, no Japão, para o GP do PacÃfico, pistas que não tinham a alta velocidade como caracterÃstica, como era o caso de Ãmola, circuito localizado nos arredores de Bolonha, na Itália.
O contato dos novos carros de 1994 com a pista gerou um grande susto logo nos treinos livres, na sexta-feira. Barrichello capotou com a Jordan, desmaiou e teve ferimentos na cabeça e no braço. Senna ainda foi visitá-lo no hospital do autódromo e durante aqueles dias de corrida, manifestou preocupação com a falta de segurança na categoria.
O temor aumentou no sábado. O novato Ratzenberger havia comprado vaga na pequena Simtek para correr somente as três primeiras provas da temporada e tentava marcar tempo no treino classificatório. O aerofólio do carro dele se soltou e ele bateu de frente no muro. O piloto morreu.
A atmosfera ficou pesada em Ãmola, com rumores sobre o cancelamento da corrida. Mas à s 14 horas (locais) de domingo os carros largaram. Quando a luz verde acendeu, um novo susto. A Benetton de JJ Lehto não saiu do lugar e a Lotus de Pedro Lamy acertou em cheio o carro na traseira. Os dois nada sofreram, mas os destroços chegaram a machucar alguns espectadores que estavam na arquibancada.
A direção de prova decidiu não cancelar a largada, mas deixar que as seis voltas iniciais fossem lideradas pelo safety Car enquanto os fiscais retiravam os detritos na pista. Logo depois, na sétima volta, a disputa foi retomada e o lÃder da corrida, Ayrton Senna, bateu na curva Tamburello. Um acidente fatal.
Fonte: Estadão Conteúdo