17/09/2021 11h30
Sem consenso geral, retorno de torcedores aos estádios no Brasil gera polêmicas
O avanço da vacinação contra a covid-19 no PaÃs levantou o debate sobre o retorno de público aos estádios brasileiros nas últimas semanas, mas sem um consenso entre clubes, federações e os governos municipais e estaduais. Assim, ainda são poucas as praças que permitem a presença de torcida, dependendo também da competição.
No último dia 8, a Prefeitura do Rio de Janeiro aceitou a solicitação do Flamengo e liberou a volta de torcedores ao Maracanã em três partidas, classificadas como eventos-teste. Em reunião no mesmo dia, as equipes da elite do futebol brasileiro decidiram que o Brasileirão seguiria sem público em setembro. Desde então, iniciou-se uma batalha judicial entre o time carioca, os outros 19 clubes da Série A e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Isolado, o Flamengo planejou o retorno da torcida por conta própria e obteve uma liminar junto ao STJD permitindo a presença de público nas partidas contra o Grêmio pela Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, além do duelo com o Barcelona de Guayaquil, pela semifinal da Libertadores. Apesar das tentativas dos gaúchos e dos outros clubes para impedir o público no Maracanã, o Flamengo teve cerca de 6.500 torcedores nas arquibancadas contra o tricolor gaúcho - vencendo por 2 a 0 e garantindo vaga na semifinal da Copa do Brasil.
Sentindo-se injustiçados, 17 times chegaram a pedir à CBF para cancelar a rodada do fim de semana - Atlético-MG e Cuiabá não assinaram o pedido. O último capÃtulo dessa história envolve o STJD, que entre pedidos indeferidos e mandados arquivados, derrubou a liminar obtida pelo Flamengo poucas horas após a partida no Maracanã.
A CBF publicou no dia 16 de agosto um protocolo para definir os termos da volta dos torcedores em meio a pandemia do novo coronavÃrus. Porém, a palavra final pertence à s autoridades regionais de saúde, a prefeitos e governadores. São eles que decidem os protocolos sanitários a serem respeitados pelo público. Veja como cada Estado brasileiro com clube na Série A se comporta em relação ao retorno da torcida aos estádios nesse momento:
SÃO PAULO - Em coletiva no dia 16 de agosto, João Doria anunciou que a liberação do público nos estádios acontecerá a partir de 1.º de novembro. Segundo o governador, o protocolo sanitário ainda não foi definido e será divulgado em conjunto com a Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Apesar da não liberação para a venda de ingressos, a partida suspensa entre Brasil x Argentina, na Neo QuÃmica Arena, contava com a presença de convidados nas arquibancadas.
RIO DE JANEIRO - Em agosto, o governo estadual vetou a volta do público por causa do aumento de casos de covid-19, impulsionados pela disseminação da variante delta. No entanto, a prefeitura da capital fluminense deu parecer favorável à proposta do Flamengo, mostrando que as duas partes possuem posições diferentes sobre o assunto. Antes do STJD derrubar a liminar que dava ao time carioca a possibilidade de jogar com a torcida, o protocolo previa apenas 35% da capacidade, com os torcedores apresentando o cartão de vacinação e comprovando o recebimento de ao menos uma dose da vacina contra a covid-19.
Nesta sexta-feira, a Prefeitura do Rio de Janeiro publicou um decreto no Diário Oficial autorizando a presença de até 50% do público em competições esportivas em estádios e ginásios, com esquema de vacinação completo - comprovação das duas doses ou dose única de vacina contra covid-19 - de todos os presentes.
MINAS GERAIS - Após o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, dizer que a partida entre Atlético-MG x River Plate, que contou com a presença de 17 mil pessoas, falhou como evento-teste, a prefeitura da capital mineira anunciou na terça a volta da torcida, com permissão de 30% da capacidade. Sem data exata para o retorno, a portaria publicada apenas aponta regras especÃficas que visam evitar a aglomeração de torcedores nos arredores das arenas, sem citar protocolos sanitários. A organização do jogo deve manter, por trinta dias a lista de participantes (torcedores, funcionários, colaboradores e organizadores) com nome completo, CPF e telefone para fins de rastreamento epidemiológico.
Apoiado em uma liminar do STJD, o Cruzeiro, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, tem mandado suas partidas na cidade de Sete Lagoas com a presença da torcida, na Arena do Jacaré. A capacidade de público é de 40%, com a necessidade dos torcedores apresentarem a comprovação de vacinação completa ou teste RT-PCR com resultado negativo até 72 horas antes do evento, além do uso obrigatório de máscaras. Para evitar aglomerações, a Guarda Municipal e a PolÃcia Militar determinaram que apenas torcedores com ingresso podem ter acesso à s ruas no entorno do estádio. A Prefeitura permite a venda de bebida alcoólica dentro da arena até o fim do intervalo.
RIO GRANDE DO SUL - Um decreto estadual publicado no começo do mês autorizou o retorno do público com protocolos sanitários a serem seguidos. As principais medidas são 40% da capacidade de cada setor do estádio e limite máximo de 2,5 mil pessoas nas partidas. Os torcedores devem estar espalhados e o uso de máscara é obrigatório.
CEARà - No começo de agosto, Ceará, Fortaleza e a Federação Cearense de Futebol (FCF) entregaram um protocolo ao Governo do Estado solicitando a liberação de 40% do público. A Secretaria de Esporte informou que não participou da reunião. Até o momento, as autoridades não tomaram uma decisão quanto ao assunto. Portanto, o público segue proibido no estado cearense.
BAHIA - O governo do Estado espera uma decisão da CBF sobre o assunto por temer uma situação semelhante a de Belo Horizonte, no jogo entre Atlético x River Plate. No entanto, o governador Rui Costa sinalizou possibilidade de retorno do público aos estádios em outubro, com apresentação do comprovante de vacinação contra a covid-19.
MATO GROSSO - No final de agosto, o governador Mauro Mendes sancionou uma lei autorizando retorno parcial do público nos estádios. Estão permitidas pessoas que já concluÃram a vacinação ou que apresentarem exame RT-PCR até 48h antes da partida. Pouco depois, o Cuiabá, que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro, e outros clubes locais pediram à Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) que seguisse a lei estadual (35% da capacidade).
PARANà - Em 18 de agosto, um decreto da Prefeitura de Curitiba válido até o primeiro dia de setembro liberou 20% da capacidade nas arenas. Ficou definido que a limitação máxima será de cinco mil pessoas, os presentes devem apresentar um exame RT-PCR 48 horas antes do evento, além de ser proibido comercializar ou consumir alimentos e bebidas alcoólicas.
PERNAMBUCO - A Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e governo de Pernambuco descartaram qualquer possibilidade de retorno em setembro. Também não há previsão de volta dos torcedores no estado.
GOIÃS - Há cerca de uma semana, a prefeitura de Goiânia liberou a volta de 1.500 torcedores aos estádios, como eventos-testes. Após a realização desses jogos, a ideia é liberar a presença de público com 30% da capacidade das arenas, mas ainda sem data. Vila Nova e Goiás, que disputam a Série B, possuem uma liminar do STJD lhes dando o direito de realizar partidas com torcida.
SANTA CATARINA - O governo estadual publicou uma portaria permitindo a volta do público a partir de 15 de setembro, mas com uma série de regras. Os clubes mandantes devem elaborar e deixar disponÃvel um Plano de Contingência atualizado. Só poderão assistir à s partidas pessoas imunizadas com pelo menos 14 dias de esquema vacinal completo (duas doses ou dose única) ou quem apresentar um exame negativo RT-PCR 72 horas antes da partida. A Arena Condá, casa da Chapecoense, em Chapecó (SC), poderá receber 30% da capacidade, pouco mais de seis mil torcedores).
Fonte: Estadão Conteúdo