29/03/2017 16h10
75% das crianças com menos de 4 anos estão fora da escola
Das 10,3 milhões de crianças brasileiras com menos de 4 anos de idade, 7,7 milhões (75%) estão fora da escola. Os dados são da pesquisa "PNAD 2015 - aspectos dos cuidados das crianças de menos de 4 anos de idade" divulgados neste quarta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE).
A pesquisa aponta que a maioria das crianças pequenas está perdendo o perÃodo ideal de estÃmulos que podem ajudá-las a romper com o ciclo de pobreza. Os anos iniciais de estudo facilitam o processo de alfabetização e contribuem para que concluam o ensino fundamental, afirmam especialistas em educação. O levantamento mostra, contudo, que 61,8% dos responsáveis pela criança tinham interesse em matriculá-las. Na faixa etária dos 3 anos, essa intenção chegava a 78,6% dos responsáveis.
O levantamento é o primeiro do IBGE que analisou os cuidados com crianças pequenas. As mulheres são as cuidadoras de 83,8% das crianças com menos de 4 anos. Há diferenças regionais - no Sul, 20,7% das crianças eram cuidadas por homens; no Nordeste, a proporção foi de 11,9%. Os cuidados de 85,6% dessas crianças ficaram a cargo de pessoas com idades entre 18 e 39 anos.
Há ainda um apontamento para um empobrecimento das famÃlias com crianças pequenas. Entre os domicÃlios que não têm crianças com menos de 4 anos, 40,9% tinham renda per capita de até um salário mÃnimo. Entre as residências que tinham crianças nesta faixa etária, 73,9% tinham renda de até um salário mÃnimo. No PaÃs, o rendimento médio mensal domiciliar per capita dos domicÃlios com crianças pequenas era de R$ 715; ou 53% do valor daqueles em que não havia crianças (R$ 1.348).
A pesquisa mostrou também que a permanência da criança na própria casa teve redução com o aumento da idade - de 91,8% entre as que tinham menos de 1 ano para 60,7% entre as que tinham 3 anos.
As famÃlias que mantinham suas crianças em casa tinham rendimento médio mensal de R$ 550 per capita; as que deixavam em outro domicÃlio, ganhavam R$813; e as que matricularam as crianças em creche ou escola, recebiam R$ 972 per capita.
Ainda de acordo com a pesquisa, 52,1% das crianças ficaram sob a responsabilidade de quem tinha trabalho formal ou informal. Mas quando o responsável era uma mulher, essa proporção caÃa para 45%; se era homem, subia para 89%.
Fonte: Estadão Conteúdo