17/05/2021 17h30
Alvos de ataques de garimpeiros há uma semana, índios Yanomami pedem socorro
Há uma semana, indÃgenas da etnia Yanomami que vivem em Roraima são alvos de tiros disparados por garimpeiros contra as comunidades locais. O aumento da violência na região voltou a ser denunciado nesta segunda-feira, 17, pela Associação Yanomami Hutukara.
O vice-presidente da associação, Dário Vitório kopenawa Yanomami, enviou nova carta a autoridades, para alertar sobre a situação e pedir apoio emergencial.
"No dia 16 de maio, pela noite, às 21h40, recebemos ligação da comunidade de Palimiu comunicando novo ataque de garimpeiros à comunidade. Segundo disseram os Yanomami, eram 15 barcos de garimpeiros se aproximando contra a comunidade", afirmou Dário, no documento.
"Os Yanomami disseram que, além dos tiros, havia muita fumaça e que seus olhos estavam ardendo, indicando o disparo de bombas de gás lacrimogêneo contra os indÃgenas. Os Yanamami estavam muito aflitos, e gritavam de preocupação ao telefone. Ao fundo, era possÃvel escutar o som dos tiros", declarou.
O alerta foi encaminhado à Funai, à Superintendência da PolÃcia Federal em Roraima, à 1ª Brigada de Infantaria da Selva do Exército e ao Ministério Público Federal em Roraima.
"Reiteramos o pedido aos órgãos que atuem com urgência dentro de seu dever legal para impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiu, antes que conflitos de mais grave natureza ocorram", diz a Associação Yanomami Hutukara.
Os indÃgenas pedem a instalação de um posto avançado emergencial na comunidade de Palimiu, com o objetivo de manter a segurança no local e no Rio Uraricoera, por onde os garimpeiros têm chegado à margem das comunidades. Eles solicitam que o Exército, por meio da 1ª Brigada de Infantaria da Selva, dê apoio logÃstico imediato para ações dos demais órgãos públicos, para garantir a segurança no local.
No dia 30 de abril, a associação já tinha informado à Funai, ao MPF e à PolÃcia Federal em Roraima, que, no dia 27 daquele tinha ocorrido um primeiro conflito, quando um grupo de Ãndios yanomami interceptou cinco garimpeiros que subiam pelo Rio Uraricoera em uma embarcação carregada de combustÃvel para avião e helicóptero.
No episódio, os indÃgenas apreenderam a carga de 990 litros de combustÃvel e expulsaram os cinco garimpeiros. "Assistindo o ocorrido, outros sete garimpeiros, que desciam o rio em direção a Boa Vista, reagiram disparando três tiros contra os indÃgenas, acima do posto de saúde local, a que os Yanomami responderam com mais tiros. Felizmente, não houve feridos", escreveu a associação Hutukara.
Segundo o relato da associação, as lideranças indÃgenas estão indignadas com a continuidade da invasão garimpeira em suas terras e com a violência e ameaça praticada pelos invasores. Temendo que novas retaliações por parte dos garimpeiros resultem em mais conflitos violentos e mortes, os indÃgenas exigem uma resposta dos órgãos públicos para garantir a segurança das comunidades.
Na sexta-feira, 14, a Funai declarou que acompanha, junto à s autoridades policiais, a apuração de "suposto conflito" ocorrido recentemente na Terra IndÃgena Yanomami, em Roraima.
"A fundação também presta apoio à s forças de segurança no local para evitar conflitos e mantém diálogo permanente com a comunidade. Cumpre ressaltar que o órgão vem mantendo equipes de forma ininterrupta dentro da Terra IndÃgena, por meio de suas Bases de Proteção Etnoambiental (BAPEs)", afirmou.
"A Funai ressalta, ainda, que não compactua com qualquer conduta ilÃcita, bem como com juÃzos açodados, emitidos antes que seja concluÃda a rigorosa apuração dos fatos pelos órgãos competentes. Por fim, a fundação esclarece que não comenta decisões judiciais."
Fonte: Estadão Conteúdo