13/02/2019 13h51
Anistia enumera 20 perguntas sem resposta 11 meses após assassinato de Marielle
Onze meses depois do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ) e do motorista Anderson Gomes, a Anistia Internacional (AI) aponta contradições na investigação do caso e enumera 20 perguntas que seguem sem resposta. Na manhã desta quarta-feira, 13, a organização apresentou um extenso levantamento das informações já divulgadas sobre o crime apontando possÃveis incoerências.
"O que já foi revelado publicamente sobre o assassinato de Marielle levanta sérias preocupações em relação a possÃveis negligências, interferências indevidas, ou ao não seguimento do devido processo legal durante as investigações", afirmou a diretora da Anistia Internacional, Jurema Werneck.
"As autoridades devem responder à s perguntas que agora são feitas sobre pontos crÃticos do caso. A Anistia Internacional continuará monitorando o caso até que todas as perguntas tenham sido respondidas e o caso solucionado."
O documento divulgado nesta quarta-feira, chamado de "Labirinto Marielle", foi elaborado a partir de informações divulgadas por autoridades públicas ou pela imprensa. Traz dados agrupados em torno de sete temas: disparos e munição, a arma do crime, os carros e aparelhos usados e as câmeras de segurança, procedimentos investigativos, responsabilidade e competência das investigações, acompanhamento externo e andamento das investigações.
"Embora as investigações estejam sob sigilo, o que já foi divulgado publicamente sobre o caso levanta questões sérias sobre possÃveis ilegalidades dentro de instituições de segurança no paÃs, já que munições e armas de propriedade do Estado teriam sido desviadas", aponta a diretora. "É de extrema preocupação que um lote de munição da PolÃcia Federal tenha sido desviado, usado em homicÃdios, e que depois de tanto tempo as autoridades não tenham dado uma explicação satisfatória para isso."
Entre outros pontos crÃticos destacados no documento estão a falta de respostas sobre o desligamento das câmeras de segurança do local do crime dias antes do assassinato, o desaparecimento de submetralhadoras do arsenal da PolÃcia Civil do Rio de Janeiro e negligências no armazenamento do carro.
As falas públicas das autoridades sobre o andamento das investigações e estimativas de conclusão do inquérito policial também foram destacadas no documento.
"Desde que o assassinato de Marielle Franco completou cinco meses ouvimos autoridades dizerem publicamente que as investigações estavam andando e que o caso estava perto de ser concluÃdo", lembra Werneck. "Se até hoje não se sabe quem matou, quem mandou matar Marielle e nem a motivação do crime, em que as autoridades se basearam todos esses meses para afirmarem que as investigações estavam próximas do fim?"
Com o inÃcio de nova gestão no governo federal, outro tema de preocupação é a continuidade que será dada à investigação da PolÃcia Federal sobre as investigações da PolÃcia Civil do Rio.
"Em novembro do ano passado, o então Ministro da Segurança Pública anunciou que a PolÃcia Federal iria investigar as investigações do assassinato diante de denúncias de que haveria um grupo organizado, com participação de agentes do Estado, agindo para interferir negativamente no andamento das investigações. Essa suspeita é grave e precisamos que as novas autoridades federais deem uma resposta à altura e que a gente saiba a conclusão da investigação aberta pela PolÃcia Federal" afirma Jurema Werneck.
Fonte: Estadão Conteúdo