18/07/2018 07h51
Anvisa cria regras para suplementos alimentares
Os suplementos alimentares, como ômega 3, vitaminas e os produtos de proteÃna do soro de leite (o "whey protein"), passaram nesta terça-feira, 17, a ter uma regulamentação especÃfica. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um marco regulatório para esses produtos, que até então eram classificados nas categorias de alimentos ou medicamentos no PaÃs.
Com as novas regras, os produtos terão de trazer no rótulo a palavra "suplemento". Também serão obrigados a ter em sua composição os nutrientes e as substâncias autorizadas pela Anvisa, que passarão a ter limites máximos e mÃnimos indicados para uso.
A lista com os ingredientes permitidos ainda será publicada no Diário Oficial da União. As empresas terão 5 anos para adequarem os produtos que já estão no mercado à nova norma.
Além da composição, as regras estabelecem critérios para a exposição nos rótulos das "alegações funcionais" do produto - como "fortalecimento ósseo" ou "ação antioxidante". Para isso, a Anvisa também publicará uma lista com as 189 alegações autorizadas. Ainda segundo a regulamentação, os fabricantes terão de comprovar a eficácia e a segurança das substâncias nos suplementos.
A Gerência-Geral de Alimentos (GGALI) diz que há necessidade de um novo marco regulatório porque o mercado de suplementos é formado por produtos com "forte assimetria de informações em relação a seus benefÃcios e riscos". Ou seja, muitas vezes o consumidor não é capaz de avaliar todas as caracterÃsticas do produto e se ele é realmente necessário para sua nutrição.
Segurança
Para Tatiana Pires, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Suplementos para Fins Especiais (Abiad), as novas regras trazem mais segurança para os consumidores, uma vez que aumenta a quantidade de informações que devem estar disponÃveis nos rótulos e estabelece padrões mÃnimos para as alegações permitidas. "O produto vai ter de cumprir as regras, como o Ãndice mÃnimo de determinada substância para colocar as indicações funcionais. Traz mais segurança", frisa.
O endocrinologista e nutrólogo João Cesar Soares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz ser importante a regulamentação dos suplementos. "Da forma como está agora, as empresas colocam nos rótulos indicações terapêuticas da forma como bem entendem e a maioria sem confirmação nenhuma cientÃfica de eficácia."
Problemas
Para ele, as regras para a quantidade das substâncias também são importantes porque a sobrecarga pode trazer prejuÃzos à saúde. "Muitas vezes a pessoa não se atenta à composição e isso pode provocar danos graves. É muito comum em grandes hospitais encontramos jovens que misturaram suplementos para treinar e tiveram uma taquicardia."
Ele também ressalta a importância das indústrias terem de comprovar a eficácia dos produtos. "A ciência nessa área é muito rápida e difÃcil de acompanhar, até mesmo porque há muita demanda dos consumidores. Também é preciso controle, já que muitas dessas substâncias ganham notoriedade de tempos em tempos. Há uma 'moda' de suplementos." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo