28/11/2017 18h40
Asteroide de 5 km passará 'raspando' na Terra em 16 de dezembro
No dia 16 de dezembro, um asteroide de cerca de 5 quilômetros de diâmetro chegará a 10 milhões de quilômetros da Terra - uma distância que, em termos astronômicos, equivale a "passar raspando".
O asteroide, conhecido como 3200 Phaethon, dá uma volta em torno do Sol a cada 1,4 ano, mas, desde que foi descoberto em 1983, ele nunca chegou tão próximo da Terra. Segundo a Agência Espacial Americana (Nasa, na sigla em inglês), porém, o asteroide não tem a menor chance de atingir o planeta.
Por seu tamanho e por sua órbita, o 3200 Phaethon é classificado pelos astrônomos como "potencialmente perigoso". Segundo a Nasa, a gravidade de Júpiter fez com que o 3200 Phaethon se aproximasse mais da Terra nos últimos séculos, mas ainda levará alguns milhares de anos até que ele represente algum risco real de colisão. Especula-se que o choque de asteroide com o dobro desse tamanho tenha levado os dinossauros à extinção, ha cerca de 65 milhões de anos.
De acordo com o Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (Cneos, na sigla em inglês), da Nasa, entre esta terça-feira, 28, e o último dia de 2017, um total de 45 objetos passarão a menos de 15 milhões de quilômetros da Terra. Mas a maior parte deles tem diâmetros estimados de 10 a 300 metros.
Com cerca de 5 quilômetros de diâmetro, o 3200 Phaethon é o terceiro maior asteroide classificado como "potencialmente perigoso". Os outros são o 53319 1999 JM8, com cerca de 7 quilômetros, e o 4183 Cuno, com 5,6 quilômetros.
Embora seja inofensiva, a passagem do 3200 Phaethon a 10 milhões de quilômetros - uma distância apenas 27 vezes maior do que a existente entre a Terra e a Lua - chama a atenção dos cientistas, porque desta vez talvez seja possÃvel estudá-lo com mais precisão e desvendar um persistente mistério astronômico.
O 3200 Phaethon é uma anomalia espacial, e a Nasa ainda não tem certeza de como classificá-lo. Embora seja tecnicamente listado como um asteroide, o 3200 Phaethon é o único asteroide já observado que é capaz de produzir uma chuva de meteoros. A passagem do asteroide nas vizinhanças da Terra coincide com a chuva de meteoros conhecida como GemÃnidas.
Uma chuva de meteoros ocorre quando, ao orbitar em torno do Sol, a Terra atravessa uma região onde há concentração de poeira e partÃculas. Ao entrar na atmosfera, as partÃculas se incendeiam, formando rastros luminosos no céu - as chamadas "estrelas cadentes".
Em geral, as partÃculas que formam as chuvas de meteoros são detritos congelados espalhados por um cometa, quando ele se aproxima do Sol e forma uma cauda vaporosa. Mas as GemÃnidas não têm nenhum cometa associado a elas e, sim, um asteroide - o 3200 Phaethon.
Além de dar origem à s GemÃnidas, o asteroide também chama a atenção por sua órbita excêntrica, mais semelhante à s órbitas dos cometas que à s dos asteroides. Os cientistas levantaram diversas hipóteses para explicar essas caracterÃsticas incomuns, mas só poderão chegar a alguma conclusão se olharem o asteroide "de perto". Esta será a melhor oportunidade até o fim do século.
Segundo a Nasa, no dia 16 de dezembro, o 3200 Phaethon estará na mira dos radares dos observatórios de Goldstone e Arecibo, operados pela agência espacial.
"Essa será a melhor oportunidade até hoje para realizar observações por radar desse asteroide e esperamos conseguir imagens detalhadas, com resoluções de 75 metros por pixel, no radar Goldstone e de 15 metros por pixel em Arecibo. As imagens serão excelentes para a obtenção de um modelo 3D detalhado do asteroide", divulgou a Nasa.
Em 1983, o 3200 Phaethon foi o primeiro asteroide descoberto por um satélite - o Iras, da Nasa - e, em sua passagem de 2007, foi detectado pelo radar de Arecibo.
Por causa de problemas nos equipamentos, porém, os dados de 2007 foram suficientes apenas para determinar suas dimensões e formato aproximado, mas não para compreender sua origem. Uma das hipóteses, segundo a Nasa, é de que o 3200 Phaethon já tenha sido um cometa, que hoje tem seu núcleo inativo. Para comprová-la, seria preciso observar atividade em sua superfÃcie.
"A aparição de 2017 será a mais próxima desde a descoberta do asteroide, portanto poderá ser possÃvel que observatórios ópticos detectem atividade. Caso o 3200 Phaethon apresente atividade inesperadamente forte, há uma pequena chance de que as observações por radar revelem ecos de uma nuvem de pequenas partÃculas semelhante à s que são vistas em cometas", divulgou a Nasa.
Ainda segundo a Nasa, em meados de dezembro, o 3200 Phaethon poderá ser visto até mesmo com pequenos telescópios, por observadores experientes, em locais com céu muito escuro.
O encontro de do 3200 Phaethon com a Terra em 2017 será o mais próximo desde 1974 - quando ainda não se sabia de sua existência. Tal proximidade só será repetida em 2093.
Fonte: Estadão Conteúdo