11/02/2016 13h57
Brasil e Universidade do Texas firmam acordo para vacina contra zika
O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou nesta quinta-feira, 11, a assinatura do primeiro acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra zika. A parceria foi feita entre a Universidade do Texas e o Instituto Evandro Chagas, no Pará. De acordo com Castro, a estimativa é que o produto esteja concluÃdo em até dois anos. Terminado esse prazo, teriam inÃcio os testes. "Podemos ter a vacina em até três anos no total. Pesquisadores estão otimistas", disse o ministro.
O pesquisador Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, informou que o imunizante será feito a partir de trechos do vÃrus responsáveis por desencadear resposta imune. Esses fragmentos seriam inseridos em uma espécie de cápsula formada também com material do vÃrus, mas que não teria risco de provocar a infecção no paciente. "O Brasil ficará encarregado de fazer o sequenciamento do vÃrus e testes em animais", contou Vasconcelos. O pesquisador afirmou que o sequenciamento do vÃrus realizado no Instituto já está na sua fase final. O governo brasileiro deverá investir US$ 1,9 bilhão nos próximos cinco anos.
Outras duas frentes de pesquisa para desenvolvimento de vacinas estão em negociação. Uma delas é uma parceria entre os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos e o Instituto Butantan. Há ainda possibilidade do desenvolvimento de imunizante numa parceria entre Biomanguinhos e um laboratório farmacêutico.
Castro mais uma vez afirmou que não faltarão recursos para desenvolvimento da vacina. "Dinheiro não é o problema", disse. De acordo com ele, a fase inicial das pesquisas não demanda grande aporte de recursos. Investimentos mais significativos serão necessários, avisou, no perÃodo dos testes para se avaliar a eficácia e segurança da vacina.
Além dos acordos de cooperação, o ministro citou duas missões de analistas internacionais e de um convite feito à diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, para uma visita ao Brasil como exemplo de que o PaÃs estaria aberto a colaborações com a comunidade cientÃfica. Os entendimentos, disse, estariam sendo feitos tanto para decifrar as dúvidas que ainda envolvem a forma de atuação do zika e quanto para desenvolvimento de instrumentos que possam evitar o avanço da doença no PaÃs e nas Américas. "A doença se transformou numa ameaça internacional", completou. A visita da diretora vai ocorrer entre os dias 23 e 24 deste mês. "Estamos bastante abertos", completou. De acordo com ele, essa caracterÃstica teria motivado crÃticas no cenário internacional.
O ministro confirmou a informação, antecipada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo , da terceira morte de um adulto no PaÃs relacionada ao vÃrus zika. O caso, de uma mulher de 20 anos moradora do Rio Grande do Norte, foi comunicado à Organização Mundial da Saúde. O óbito ocorreu em abril, dias depois de a paciente entrar no hospital com queixas de problemas respiratórios. Na época, suspeitou-se de que ela poderia ter dengue grave. Exames deram inconclusivos. O Instituto Evandro Chagas continuou a fazer análises e identificou, no fim de janeiro, que a paciente tinha zika. "Assim como outras doenças infecciosas, não podemos afirmar de forma categórica que o vÃrus foi a única causa da morte. Mas ele estava presente", disse o diretor do Ministério da Saúde Cláudio Maierovitch. Ele lembrou que o caso despertou atenção pelo fato de a jovem, que não apresentava problemas de saúde anteriores, ter tido uma evolução da doença muito rápida.
Embora tenha repetido a frase de que não faltam recursos para ações de combate ao Aedes aegypti e para pesquisas, o ministro confirmou a informação, dada pelo jornal O Globo de que os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo teriam enfrentado demora na entrega de kits de diagnóstico para dengue. De acordo com Castro, houve problema na aquisição de testes, mas o problema já foi solucionado. "Os kits estão sendo distribuÃdos em todo o PaÃs", completou.
O ministro atribuiu também à falta de testes e treinamento especÃfico o atraso da entrada em vigor da obrigação da notificação de novos casos de zika para autoridades de saúde, a notificação compulsória. De acordo com o ministro, antes da a regra entrar em vigor, seria necessária a capacitação e credenciamento de laboratórios em vários pontos do PaÃs para o uso de kits especÃficos. Não há ainda prazo para a regra começar a valer. "Mas a decisão já foi tomada."
Fonte: Estadão Conteúdo