28/02/2018 12h10
Brasil só deve dominar Leitura em 260 anos, aponta estudo do Banco Mundial
Um relatório inédito do Banco Mundial estima que o Brasil vá demorar 260 anos para atingir o nÃvel educacional de paÃses desenvolvidos em Leitura e 75 anos em Matemática, destaca o jornal O Estado de S. Paulo. Isso porque o PaÃs tem avançado, mas a passos muito lentos. O cálculo foi feito com base no desempenho dos estudantes brasileiros em todas as edições do Pisa, a avaliação internacional aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).
Esta é a primeira vez que o "World Development Report", relatório anual que discute questões para o desenvolvimento mundial, é dedicado totalmente à educação. A conclusão mais importante do documento é que há uma "crise de aprendizagem" no mundo todo. "Nos últimos 30 anos houve grandes progressos em colocar as crianças nas escolas na maioria dos paÃses, mas infelizmente muitas não entendem o que leem ou não sabem fazer contas", disse ao Estado o diretor global da área de educação do Banco Mundial, Jaime Saavedra.
Segundo o relatório, 125 milhões de crianças no mundo estão nessa situação. Na América Latina e Caribe, apenas cerca de 40% das crianças nos anos finais do ensino fundamental chegam ao nÃvel considerado mÃnimo de proficiência em Matemática, enquanto na Europa e Ãsia são 80%. Na Ãfrica Subsaariana, só 10% dos alunos têm nÃveis aceitáveis de Leitura.
O texto sistematiza evidências e casos de sucesso de vários paÃses para traçar um panorama da educação mundial. A Coreia do Sul e, mais recentemente, o Peru e o Vietnã são paÃses citados como alguns dos que conseguiram avançar com reformas e novas polÃticas. Entre as sugestões de iniciativas para tentar reverter o quadro principalmente nos paÃses em desenvolvimento, estão a valorização do professor, a avaliação dos sistemas, a melhor gestão das escolas e o investimento em educação infantil.
O Brasil é um dos paÃses que fazem parte dessa crise de aprendizagem, apesar de avanços recentes em avaliações. No último Pisa, porém, o PaÃs não aumentou sua nota em Leitura e caiu em Matemática. Procurado pela reportagem, o Ministério da Educação não quis comentar o conteúdo do relatório.
Segundo André Loureiro, economista brasileiro do Banco Mundial, a demora para se atingir nÃveis de paÃses desenvolvidos só vai acontecer "se o paÃs mantiver o passo em que está". "Mas há reformas que estão sendo feitas, como a do ensino médio, que têm potencial muito grande de afetar essa trajetória", acredita. Para ele, a flexibilização do currÃculo e a diminuição do número de disciplinas devem deixar a escola mais atrativa para os jovens.
Sem plano
"O Brasil precisa urgentemente de um plano estratégico de educação", diz a presidente do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz. Segundo ela, os avanços do PaÃs são lentos porque não se sabe quais são os fatores de fracasso e sucesso das polÃticas. "A gente abandona as polÃticas e recomeça do zero sem ter aprendido nada com o passado." Para Priscila, os dois pontos principais desse plano deveriam ser a valorização do professor e da primeira infância.
"O Brasil teve de expandir o sistema rapidamente para trazer muitas crianças para a escola, precisou de muitos professores e acabou tendo problema com a formação deles", diz o coordenador de pesquisas do Centro de PolÃticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho. Mas, segundo ele, agora o PaÃs tem uma oportunidade de corrigir essa questão por causa da queda demográfica. A natalidade diminuiu muito nos últimos anos e o número de alunos no ensino fundamental caiu quase pela metade em 20 anos. "Se mantiver o tamanho das salas, vamos precisar de metade do professores. Podemos selecionar melhor os candidatos."
O relatório intitulado "Aprendizagem para Realizar a Promessa da Educação" será apresentado hoje em São Paulo em um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV). O texto enfatiza a importância da educação para impulsionar o "crescimento econômico de longo prazo, incentivar a inovação, reforçar as instituições e promover a coesão social". Há também dados que demonstram que cidadãos mais bem educados valorizam mais a democracia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo