03/04/2019 13h00
Bretas condena advogadas a 21 anos de prisão por simulação de investigações do MP
A Justiça Federal no Rio condenou as advogadas Valesca Ferreira Rodrigues e LuÃsa Kahale Raimundo Velasco a 21 anos de prisão, em regime fechado, por extorsão, falsificação de documento público, tráfico de influência e estelionato. A sentença é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal.
A condenação acolhe ação do Ministério Público Federal. Segundo a Procuradoria, "as acusadas simulavam investigações criminais que seriam conduzidas por membros do Ministério Público Federal e/ou delegados da polÃcia e, em seguida, cobravam por possÃveis serviços advocatÃcios".
Segundo a Procuradoria, "pelo menos seis pessoas foram vÃtimas das criminosas de um expediente no qual eram induzidas pelas advogadas a acreditar na existência de investigações contra elas em diferentes órgãos, como o MPF , a PolÃcia Federal e a PolÃcia Civil".
A ação narra que as vÃtimas eram chamadas a fazer pagamentos a pretexto de "influenciar decisões ou por serviços advocatÃcios inexistentes". "LuÃsa Velasco, que ao tempo dos fatos ocupava um cargo comissionado no Ministério Público Federal, e chegou a utilizar o telefone da Procuradoria Regional da República para os crimes, além de constranger as vÃtimas, "utilizou-se da estrutura do MPF na qualidade de funcionária pública, assessora de Procurador da República, e da facilidade em acessar arquivos elaborados nos padrões da instituição, para falsificar os documentos públicos", pontuou Bretas, na sentença.
A Procuradoria sustenta que "com atuação nas áreas de direito penal e processual penal, Valesca e LuÃsa constrangiam seus clientes mediante grave ameaça a contratarem seus serviços advocatÃcios, induzindo-os a erro, mediante a falsificação e uso de documentos falsos, contendo sÃmbolos identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública, forjados com o intuito de caracterizar investigações inexistentes e assim obter vantagem econômica indevida, decorrente do pagamento de serviços advocatÃcios que nunca seriam prestados".
Danos à imagem
Bretas ressaltou que "ocorreram danos à imagem da PolÃcia Civil, PolÃcia Federal e do Ministério Público Federal, inclusive com imagens dos documentos contendo sÃmbolos identificadores dos referidos órgãos, falsificação de assinaturas de servidores públicos, Procurador da República e Delegado".
Defesa
A reportagem tenta contato com a defesa das advogadas Valesca Ferreira Rodrigues e LuÃsa Kahale Raimundo Velasco. O espaço está aberto para as manifestações.
Fonte: Estadão Conteúdo