15/02/2021 18h33
Cariocas caçam a 'xepa da vacina'
Faltavam poucos minutos para as 17 horas, quando os agentes de viagem Régis Fernandes, de 70 anos, e Graça Oliveira, de 65, chegaram ao Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana. Ali funciona um posto de vacinação contra a covid-19. Mesmo sem pertencer à faixa etária indicada para o dia - 94 anos -, eles queriam receber o imunizante, na chamada "xepa da vacina", com "sobras" não usadas no horário regulamentar.
Não conseguiram, mas se dispunham a ir a outro posto, na zona norte, na sua busca pela imunidade. Uma espécie de ronda da imunização, nova arma contra a covid, que já matou mais de 226 mil pessoas no PaÃs.
"Soubemos que, na hora em que o posto fecha, as doses restantes de vacina são distribuÃdas a quem estiver presente e quiser tomar", contou Graça. "Então viemos esperar aqui a 'xepa da vacina'", completou. O termo designa o horário em que as feiras livres encerram o trabalho e vendem os produtos perecÃveis a preços mais baixos.
Essa distribuição de doses realmente aconteceu, no inÃcio da vacinação, em alguns postos. O motivo é que cada frasco da vacina da AstraZeneca/Oxford contém dez doses. Depois de aberto, todo o conteúdo deve ser usado em até seis horas - do contrário, se perde.
No posto de Copacabana sobraram três doses no sábado e seis na segunda-feira, segundo funcionários. Todas foram distribuÃdas entre os presentes, para evitar que se perdessem. Mas, seguindo orientação da Secretaria Municipal de Saúde, à tarde passaram a ser aplicadas doses da vacina Coronavac. "Por isso aqui não tem mais 'xepa da vacina'", lamentou Graça. "Antes passamos por outro posto na Rua do Matoso, que fecha à s 20 horas e todo dia tem sobra. Vamos comer uma pizza e depois vamos lá vacinar", programou.
"Soube agora que em Copacabana não tem, mas vou à Gávea, a Laranjeiras, vou fazer uma peregrinação", contou o biólogo aposentado Enocir Mello, de 76 anos. Pelo cronograma da prefeitura, ele pode se vacinar a partir de 25 de fevereiro. Na fila de vacinação, a reportagem do Estadão encontrou também uma mulher de 93 anos levada pela filha, que recebeu orientação para voltar nesta quinta-feira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo