26/11/2016 11h33
Caso Yoki vai a júri com mistério sobre cúmplice de Elize
Às vésperas do júri de Elize Matsunaga, acusada de assassinar e esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga, em maio de 2012, o mistério sobre a possÃvel participação de uma segunda pessoa no crime permanece. Enquanto o Ministério Público de São Paulo (MPE) diz ter "certeza técnica" de que a ré recebeu ajuda para retalhar o corpo da vÃtima em sete partes, a defesa afirma que ela agiu sozinha. Segundo a promotoria, novas explicações sobre o ocorrido no apartamento da vÃtima serão apresentadas aos jurados.
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Entre acusação e defesa, há apenas um ponto pacÃfico: foi Elize quem matou Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro do grupo Yoki. Ela confessou o crime e vai responder por homicÃdio triplamente qualificado (com motivo torpe, impossibilidade de defesa e meio cruel), além de destruição de cadáver. A pena pode chegar a 33 anos, caso seja condenada pelos dois crimes.
O julgamento vai começar na segunda-feira, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital. Responsável pela acusação, o promotor José Carlos Cosenzo afirma que receberia com "indignação" a notÃcia de pena inferior a 24 anos de prisão. A defesa diz que vai tentar absolvê-la. "Em júri, tudo pode acontecer", diz a advogada Roselle Soglio, que defende Elize.
Ajuda. Na versão da promotoria, a ré recebeu ajuda para esquartejar o ex-marido. No júri, a acusação vai apresentar como uma das provas o resultado de perÃcia que aponta presença de DNA de outro homem no cadáver de Marcos. O laudo deixaria claro que duas pessoas atuaram no esquartejamento. "Quem fez as secções das partes superiores não domina técnicas de anatomia", diz Cosenzo.
Elize tinha conhecimentos de Enfermagem e, por isso, seria a responsável por desmembrar as partes inferiores da vÃtima, segundo o MPE. Um corte acima do umbigo teria sido feito com precisão de bisturi - e não por faca. "Era preciso ter alguém segurando o corpo para as vÃsceras não caÃrem", afirma o promotor do caso.
De acordo com Cosenzo, não haveria câmeras de segurança instaladas nas saÃdas de emergência nem sequer no segundo subsolo do condomÃnio, permitindo que o outro participante pudesse chegar ao apartamento sem ser visto. Segundo afirma, a acusação vai explorar "um hiato" entre a morte de Marcos, o esquartejamento do corpo e a ocultação do cadáver.
A PolÃcia Civil instaurou inquérito para apurar a possÃvel participação de outra pessoa no crime, mas as investigações estão sob segredo de Justiça. A advogada Roselle Soglio nega a versão do promotor. "Ele está insistindo em algo que não existe", afirma. "Não há terceira pessoa. Elize praticou o crime absolutamente sozinha."
Outro embate que promete marcar o julgamento é se Marcos começou a ser degolado ainda vivo. Segundo o MPE, ele chegou a engolir sangue. A defesa, contudo, afirma que um laudo necroscópico, feito após exumação do corpo, aponta que a vÃtima já estava morta. As partes devem discutir, ainda, se os crimes foram premeditados.
Retirada de provas. Após pedido dos advogados de Elize, a Justiça retirou do rol de provas três documentos da acusação. Entre eles, um laudo do psiquiatra forense Guido Palomba, para quem Elize seria "psicopata". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo