15/03/2018 12h40
Chefe da polícia do Rio diz que morte de Marielle é "atentado à democracia" -
O chefe da PolÃcia Civil do Estado do Rio, Rivaldo Barbosa, disse nesta quinta-feira, 15, que o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) "atenta contra a democracia". Ele não quis confirmar a hipótese de execução alegando sigilo nas investigações, mas afirmou que a polÃcia "não descarta nenhuma possibilidade". A PolÃcia Federal ofereceu ajuda nas investigações, mas o chefe da polÃcia civil disse que a instituição tem todas as condições de resolver o caso.
Barbosa recebeu em seu gabinete o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e os delegados Fábio Cardoso, que está assumindo a direção das Delegacias de HomicÃdio, e Gineton Lages, que agora é titular da Delegacia de HomicÃdios da Capital.
"É um caso extremamente grave, que atenta contra a dignidade da pessoa humana e que atenta contra a democracia", disse Barbosa. "Nós temos nossos protocolos estabelecidos. Quem quiser nos ajudar, receberemos a ajuda, de qualquer instituição. Entretanto, quero dizer que a PolÃcia Civil do Estado do Rio de Janeiro tem capacidade para resolver esse caso."
Morte inaceitável
Marcelo Freixo disse que a morte de Marielle, que defendia o direito de minorias, "não é aceitável em lugar nenhum do mundo". "O caso da Marielle é de um atentado à democracia. É bom deixar claro isso. Não significa que a vida da Marielle valesse mais do que a vida de qualquer pessoa, não é nada disso. Quem matou a Marielle matou a possibilidade de uma mulher negra, que nasceu na favela da Maré, que era feminista, de estar na polÃtica. E isso não é aceitável em lugar nenhum do mundo", sustentou.
Freixo também criticou quem diz que os defensores dos direitos humanos defendem bandidos ou atacam a polÃcia. "É importante que se diga isso: o trabalho da Comissão de Direitos Humanos não é um trabalho contra a polÃcia", afirmou. "Denunciar policiais que cometem crimes não é um trabalho contra a polÃcia."
Freixo voltou a afirmar que Marielle Franco não vinha sofrendo ameaças. Ele disse ainda que as denúncias que ela vinha fazendo sobre abusos de policiais militares não tinha nenhum nome especÃfico. E repetiu: "A gente não pode achar que polÃcia se mistura com o crime, e nem que direitos humanos defende bandido. Ninguém ganha com isso".
Fonte: Estadão Conteúdo