03/11/2021 14h00
China e Rússia rebatem críticas de Biden sobre ausência de líderes na COP-26
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, rebateu, nesta quarta-feira, 3, as afirmações do presidente americano Joe Biden sobre a ausência do presidente chinês Xi Jinping na Conferência do Clima da ONU (COP-26), em Glasgow. Wenbin disse que a resposta chinesa às mudanças climáticas "é concreta" e apontou as conquistas recentes em reflorestamento e energia renovável.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, destacou que a Rússia leva o aquecimento global a sério e que as ações que o paÃs toma contra as mudanças climáticas são "consistentes, ponderadas e sérias". A ausência de Vladimir Putin também havia sido alvo de crÃticas de Biden os últimos dias.
"A tundra queima. Mas não vamos esquecer que as florestas também queimam na Califórnia, Turquia e outras partes do mundo", rebateu Peskov. "Não minimizamos a importância do que está acontecendo em Glasgow. (Mas) As ações climáticas da Rússia não são orientadas para este ou aquele evento."
Tanto Jinping quanto Putin associaram suas ausências à pandemia. A Rússia enfrenta um dos piores momentos da crise sanitária desde o registro dos primeiros casos. Já o chinês não deixa o paÃs desde 2020, quando as primeiras infecções pelo coronavÃrus foram confirmadas.
O presidente dos Estados Unidos (EUA) Joe Biden, na terça-feira, 2, criticou a ausência de Xi Jinping e Vladimir Putin, na Conferência do Clima (COP-26), que começou no domingo, 31. Para Biden, o não comparecimento deles significou um "dar de costas" para os sérios problemas ambientais enfrentados na cúpula e a perda de uma chance para se firmar como uma liderança mundial.
"A China está tentando ter, compreensivelmente, um novo papel como lÃder mundial e não aparece por aqui?", questionou em coletiva de imprensa. "É o assunto mais importante para a comunidade internacional, da Islândia à Austrália, e eles vão... O mesmo com (Vladimir) Putin e a Rússia. Sua tundra está queimando, literalmente, sua tundra está queimando. Ele enfrenta problemas climáticos muito, muito sérios, mas está em silêncio."
Em um discurso altamente crÃtico em relação a lÃderes que não viajaram a Glasgow, Biden reconheceu que está "preocupado" com o meio ambiente, mas "otimista" sobre avanços com os acordos firmados. "Não consigo pensar em dois dias em que se tenha conseguido mais no clima do que nos dois últimos", afirmou. Assim como o russo e o chinês, o presidente Jair Bolsonaro não compareceu presencialmente à cúpula.
Ainda na terça-feira, 2, antes das declarações do americano, Rússia e China, entre os três maiores emissores de metano do mundo, não assinaram um acordo para reduzir as emissões do gás de efeito estufa em 30% até 2030. Embora desapareça mais rápido da atmosfera do que o gás carbônico, o metano tem um potencial de aquecimento cerca de 80 vezes maior. Por isso, reduzir a liberação do poluente é estratégico para acelerar o combate às mudanças climáticas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
Fonte: Estadão Conteúdo