25/07/2017 12h48
Chineses desenvolvem molécula que bloqueia entrada do zika nas células
Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vÃrus da zika que foi capaz de reduzir os nÃveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista cientÃfica Nature Communications.
De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clÃnicos.
O vÃrus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponÃveis para tratar a infecção.
A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partÃculas do vÃrus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células.
Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vÃrus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.
Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partÃculas do vÃrus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.
A droga é um peptÃdeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteÃnas de uma região especÃfica do envelope do vÃrus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.
"Mostramos que o Z2 interage com as proteÃnas da superfÃcie do vÃrus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto", escreveram os autores.
Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptÃdeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.
Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vÃrus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada.
Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser "humanizados", o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.
"Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em paÃses em desenvolvimento, como o Brasil", disse Jiang.
Fonte: Estadão Conteúdo