22/11/2021 09h30
Com avanço lento na reciclagem, metade das cidades ainda tem lixões
Metade das cidades brasileiras ainda descarta seu lixo de forma ambientalmente inadequada, revela o Ãndice de Sustentabilidade Urbana (Islu 2021). Já 58% dos municÃpios não dispõem de um modelo de cobrança para custear os serviços de coleta e tratamento. Uma situação que pode levar o PaÃs a descumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
Nos últimos cinco anos, o avanço no setor foi quase nenhum, constatou o estudo, realizado pelo Sindicato Nacional de Limpeza Urbana (Selurb), com a PwC Brasil. Em 2016, por exemplo, 55% das cidades ainda utilizavam lixões a céu aberto para o descarte - o porcentual agora está em 50%.
O setor de saneamento representa 5% das emissões de gases-estufa do PaÃs, por causa dos lixões a céu aberto. A destinação ambientalmente adequada do lixo contribuiria significativamente para o PaÃs cumprir o compromisso de redução de 30% da emissão de gás metano, meta assumida pelo Brasil na Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow.
O Ãndice de Sustentabilidade Urbana mede o desenvolvimento das cidades a partir da implementação da PolÃtica Nacional de ResÃduos Sólidos (PNRS). O estudo é feito a partir do cruzamento dos dados oficiais mais recentes inseridos pelos municÃpios no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
Quatro aspectos são considerados pelo Ãndice: proporção da população atendida; sustentabilidade financeira; proporção do material reciclável recuperado sobre total coletado e quantidade destinada incorretamente sobre a população atendida.
Coleta e reciclagem
O estudo analisou 3.572 municÃpios em todo o PaÃs. A cobertura da coleta porta a porta se manteve na casa dos 76%, com quase um quarto da população sem acesso ao serviço. Já a taxa de reciclagem patina em torno 3,5% nos últimos cinco anos.
A análise levou em consideração o ritmo de progresso dos últimos anos. E alerta que a cobrança pelo serviço, determinada pelo Novo Marco Legal do Saneamento, é fundamental para mudar essa situação.
A Região Sul é a que apresenta pontuação mais alta no Ãndice de sustentabilidade, com média de 0,545, e porcentual de reciclagem de 7,2%, o melhor do PaÃs. O Sul também se destaca pelo total de municÃpios que já aplicam modelos de cobrança, o equivalente a 83,5%.
Em segundo lugar na pontuação do estudo, o Sudeste também apresenta a melhor taxa de coleta. Com cobertura de 85,5%, a região é a que mais se aproxima da universalização dos serviços. No entanto, para melhorar a média de 0,487 e alcançar o nÃvel médio estabelecido pelo Ãndice, acima de 0,600, ainda precisa avançar na destinação correta e na reciclagem dos resÃduos.
A situação mais complicada é no Nordeste. Com a média mais baixa do PaÃs, de 0,351, e pior Ãndice de reciclagem, de 0,30%, apenas 7,6% das cidades da região têm cobrança especÃfica. E só 13,3% fazem a destinação adequada do lixo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo