20/04/2019 16h20
Com banco de DNA, PF confirma participação de suspeito em assalto à Prosegur
Com o uso do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), a PolÃcia Federal confirmou a participação de um investigado na morte do agente penitenciário federal Alex Belarmino, assassinado pelo PCC, em 2016, no roubo milionário à base da Prosegur, no Paraguai, em 2017, e um assalto ao Banco do Brasil em Campo Grande (MS) ocorrido no mesmo ano.
Segundo a PF, "o laudo positivou quatro perfis de DNA colhidos em cenas de crime com o material fornecido por um suspeito preso no final de 2018". "Dessa forma, o suspeito teve confirmada sua participação nos três eventos criminosos investigados".
"Tais informações foram possÃveis pelo cruzamento do perfil genético do suspeito com os vestÃgios biológicos coletados nos respectivos locais de crime por meio do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). Esse banco armazena todos os dados de DNA coletados pela PolÃcia Federal e pelas polÃcias estaduais. Cópias do laudo serão encaminhadas à s respectivas autoridades competentes para as providências cabÃveis", diz a PF.
Pelo menos 30 homens usando armamento de guerra - como metralhadora ponto 50 (capaz de derrubar helicóptero), fuzis e explosivos - roubaram US$ 40 milhões (R$ 120 milhões) da transportadora de valores Prosegur, em Ciudad del Este, no Paraguai. Um policial e três bandidos morreram e quatro pessoas ficaram feridas na ação e na perseguição. O assalto é apontado como o maior da história do Paraguai.
Em uma ação da PolÃcia brasileira, em abril daquele ano, foi possÃvel recuperar parte do dinheiro roubado no dia do assalto. O montante corresponde a R$ 219.450, G$ 733.640.000 (cerca de R$ 4,2 milhões) e US$ 1.275.030. O dinheiro estava em um malote que foi localizado durante as buscas feitas em toda região oeste do Paraná. A ação também apreendeu explosivos, fuzis e coletes à prova de balas.
Um dos detidos à época foi um homem de 37 anos apontado como um dos lÃderes da quadrilha. Ele foi preso nesta terça pela manhã em Cascavel, oeste do Paraná, pela PolÃcia Rodoviária Federal (PRF) durante uma blitz, em um ônibus da linha Foz do Iguaçu-Curitiba.
À época, os investigadores colheram o DNA dos presos para confrontar com vestÃgios deixados em um imóvel de luxo localizado pela PolÃcia Nacional do Paraguai em Ciudad del Este que teria sido utilizado pela quadrilha como base.
No âmbito da Operação Echelon, o Ministério Público revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) criou regras para matar rivais. Eles devem ser executados com vagar, sob tortura e com muita crueldade. As interceptações telefônicas da Promotoria relacionam mais de uma dezena dessas execuções. Entre os mortos pelo PCC estão o agente Alex Belarmino.
As interceptações mostram a facção planejando a morte de agentes prisionais federais por ordem de Roberto Soriano, o Tiriça. Integrante da Sintonia Final, ele foi enviado à penitenciária federal de Catanduvas (PR) após se envolver com atentados em São Paulo. Em 2016, por achar que o sistema da prisão era muito rÃgido, determinou que um agente prisional - Alex Belarmino Almeida da Silva - fosse morto, o que aconteceu em 2 de setembro de 2016. A vÃtima foi atingida por mais de 20 disparos.
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, usou suas redes sociais, nesse sábado,20, para defender a ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos, que faz parte do pacote anticrime enviado pelo ministro ao Congresso.
"Medidas simples e eficazes contra o crime. Uma das minhas favoritas, a ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos, o que aumentará a taxa de resolução de investigação de qualquer crime, mas principalmente de crimes que deixam vestÃgios corporais. Propomos a extração do perfil genético (DNA) de todo condenado por crime doloso no Brasil. Significa passar um cotonete na boca do preso e enviar o material ao laboratório. Isso passa a compor um banco de dados, como se fosse uma impressão digital", descreve o ministro.
Fonte: Estadão Conteúdo