Longe dos excessos, a nova estética aposta na saúde integrativa, na fitoterapia e na orientação especializada para resultados duradouros
Vivemos uma mudança de paradigma: a estética deixou de ser uma “máscara” para se tornar um diálogo profundo com a saúde. Nesta nova era, a busca por uma beleza sustentável exige alternativas seguras e eficazes, distanciando-se da automedicação arriscada e aproximando-se do equilíbrio biológico.
É neste cenário que o farmacêutico assume um novo protagonismo. Muito além da dispensação, ele se torna o estrategista da saúde, unindo fitoterapia, produtos limpos e o uso racional de medicamentos. Ele é o profissional capaz de traduzir a ciência em escolhas conscientes, analisando o indivíduo como um todo: do histórico clínico aos hábitos alimentares.
Para desvendar essa abordagem integrada, conversamos com o Dr. Cristiano Ricardo dos Santos, farmacêutico-bioquímico, Mestre em Farmácia na área de Farmacologia de Produtos Naturais e especialista em estética e engenharia de produtos cosméticos.
A entrevista
O que define, na prática, o cuidado farmacêutico voltado à beleza?
Dr. Cristiano Ricardo: É compreender a beleza como a saúde tornada visível. A pele, o cabelo e a energia vital são termômetros do nosso interior. O cuidado farmacêutico transcende a venda ou a prescrição; é uma consultoria em saúde. Avaliamos a interação entre medicamentos, cosméticos, suplementos e estilo de vida para entregar não apenas estética, mas segurança e equilíbrio real.
Qual o papel estratégico da fitoterapia nesse contexto?
Dr. Cristiano Ricardo: Ela é o elo entre a sabedoria ancestral e a precisão científica. Quando prescrita corretamente — com padronização e doses exatas —, a fitoterapia atua na raiz dos problemas: controle do estresse, melhora da circulação e modulação do envelhecimento. O grande mito a ser combatido é a ideia de que “se é natural, não faz mal”. Planta é medicamento e exige critério rigoroso.
Produtos saudáveis são uma tendência passageira ou vieram para ficar?
Dr. Cristiano Ricardo: Não é modismo, é evolução. Produtos com formulações “limpas”, biocompatíveis e livres de cargas tóxicas reduzem inflamações silenciosas e protegem o organismo a longo prazo. É uma escolha inteligente: trocar o efeito imediato a qualquer custo pela saúde perene.
CRISTIANO RICARDO DOS SANTOS é Farmacêutico Bioquímico, Mestre em Farmácia e Especialista Docência, em Estética, em Gestão e Engenharia Cosmética.
Com uma sólida carreira acadêmica e profissional, possui mais de 20 anos de experiência docente no Ensino Superior e Pós-Graduação, tendo ministrado amplamente disciplinas do núcleo das tecnologias como Cosmetologia, Tecnologia Farmacêutica, Farmacotécnica, Controle de Qualidade e Gestão da Qualidade Farmacêutica.
Possui profunda vivência na aplicação das Boas Práticas de Fabricação (BPF), e na Validação de Processos, Limpeza e Métodos Analíticos, atuando também como Consultor em P&D&I&Q (Desenvolvimento de Produtos, Validação e Auditoria) e tendo sido Farmacêutico Responsável por unidade fabril e responsável pela área da qualidade.

Por que o uso racional de medicamentos é o pilar da estética segura?
Dr. Cristiano Ricardo: Porque a “química” do corpo é delicada. O uso desordenado de hormônios, suplementos e ativos tópicos pode criar um “coquetel” perigoso. O uso racional previne interações nocivas e frustrações. Beleza não combina com risco desnecessário.
O farmacêutico, então, atua como um educador?
Dr. Cristiano Ricardo: Educar é a essência do nosso cuidado. Quando o paciente entende o mecanismo do tratamento, ele deixa de ser passivo e vira protagonista da própria saúde. Isso gera adesão, confiança e resultados que o tempo não apaga.
A integração entre natureza e ciência proposta pelo Dr. Cristiano aponta para um futuro onde a beleza é consequência, e não fim. Menos excesso, mais consciência. Nesse modelo, o farmacêutico atua como um tradutor da ciência, guiando o paciente por um caminho onde a estética e a ética caminham juntas, transformando não só a aparência, mas a relação de cada um com seu próprio corpo.