13/11/2021 22h30
COP-26 é onde apontam problema para outros resolverem, reclama Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro fez crÃticas à Cúpula do Clima (COP 26) das Nações Unidas neste sábado, dia 13, em Dubai, no primeiro dia de compromissos nos Emirados Ãrabes Unidos. As negociações climáticas se estenderam em Glasgow, para a conclusão de um acordo global.
"A COP 26 é um local onde quase todos apresentam os problemas para os outros resolverem. Onde todo mundo tem a solução para o problema apontando o dedo para os outros", reclamou Bolsonaro, que não viajou à conferência na Escócia, em conversa com jornalistas. "Somos os que mais contribuÃmos para não emissão de gases estufa e que por vezes mais pagamos a conta, mas somos atacados."
Para Bolsonaro, o governo faz o possÃvel e colabora cada vez mais para mitigar as mudanças climáticas, principal meta do Acordo de Paris. Ele vinculou as pressões sobre o Brasil à competição de commodities e produtos agrÃcolas brasileiros no exterior.
"Vão boicotar produtos do Brasil, vão comprar de onde? Da Lua? Só pode ser da Lua, né, ou de Marte, Saturno, deve ser", questionou Bolsonaro.
O presidente também disse que considera que paÃses como China, Ãndia e Estados Unidos, que emitem mais gases estufa historicamente do que o Brasil, "não assinaram nada". O Brasil aderiu ao acordo mundial para cortar a emissão de metano em 30% até 2030, pressionado por europeus e norte-americanos. "Nós fazemos o possÃvel, temos um bom ministro do Meio Ambiente (Joaquim Leite). Fizemos um acordo na questão do metano, é pum do boi, dentre outras coisas é a decomposição de matéria orgânica também", disse Bolsonaro.
Bolsonaro também disse que o Brasil enfrenta problemas com o fornecimento de fertilizantes para o campo, vindos da Bielorrússia e China. Ele vinculou o problema à pressão por uso de energia menos poluente. "Não tem energia limpa com a velocidade que ser quer, com menos energia, de fontes fósseis, fontes de carbono, menos produção disso que nós precisamos para agricultura. Problema na ponta da linha: diminui a nossa produtividade e aumenta de preço. O mundo todo está com esse problema", afirmou o presidente.
Dubai é a primeira de três paradas do giro árabe de Bolsonaro. Ele também irá inaugurar a embaixada do Brasil em Manama, no Bahrein, e participar de encontros polÃticos e econômicos em Doha, no Catar.
Ele conversou neste sábado com o Emir de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, na Expo 2020. O presidente disse que a conversa foi apenas uma cortesia e ocorreu de forma extraordinária a pedido do xeique. Segundo ele, há intenção dos Emirados Ãrabes em ter um posto da Embrapa no Oriente Médio. Bolsonaro não quis dar mais detalhes sobre o pedido.
PETROBRAS
Bolsonaro voltou a dar declarações, no exterior, que sinalizam insatisfação com a Petrobras. "Se pudesse ficaria livre da Petrobras", disse Bolsonaro, ressaltando que não manda nem interfere na polÃtica de preços da empresa. No G20, na Itália, ele havia declarado que a estatal "é um problema", e em seguida o governo incentivou discussões sobre a privatização da companhia. O presidente disse que não tratou do tema na conversa com o xeique, mas antecipou que o PaÃs não tem interesse nesse momento em integrar a Opep (Organização dos PaÃses Exportadores de Petróleo).
Bolsonaro defendeu novamente a fixação de alÃquota nacional do ICMS, mas disse que não deseja entrar em confronto com governadores. "Ninguém quer encrenca com ninguém", disse o presidente, embora tenha defendido que o povo pressione nos Estados que estão cobrando mais. Segundo ele, eventuais reduções no valor do combustÃvel não são experimentadas pelo consumidor final.
PEC DOS PRECATÓRIOS
O presidente disse que considera "mais difÃcil" de aprovar no Senado do que na Câmara dos Deputados a PEC dos precatórios, que posterga dÃvidas reconhecidas pela Justiça e abre espaço para o pagamento do AuxÃlio Brasil, alterando a regra de correção teto de gastos. "O único voto que mando lá dentro é o do Flávio", afirmou, em referência ao filho senador. Bolsonaro disse que o governo não tem como pagar os R$ 90 bilhões em precatórios adiados pela PEC respeitando o teto de gastos: "Para tudo no Brasil".
Sem citar nomes de pré-candidatos a presidente, Bolsonaro voltou a reclamar da posição de presidente da República e relatou que passa parte de seu tempo "desarmando armadilhas".
"Vocês acham que querem a minha cadeira por quê? É um saco, é uma merda aquela cadeira, só problema. Não é pelo salário. É o poder, poder fantástico para o bem e para o mal. 50% do meu tempo é tomado para desarmar armadilhas contra a gente", disse o presidente.
SUÃTE DE R$ 45 MIL
O presidente disse que "jamais ficaria", se tivesse que pagar, no hotel Habtoor Palace, oferecido como cortesia à comitiva brasileira. Ele afirmou que a diária na suÃte em que está dormindo em Dubai custa R$ 45 mil.
Segundo o presidente, o governo dos Emirados Ãrabes Unidos ofereceu o custeio da hospedagem para Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e mais dez quartos para autoridades do primeiro escalão. "É 0800", disse Bolsonaro, em referência à estada gratuita.
O presidente disse que só saiu para comer fora do hotel, numa pizzaria que leva o nome de Michelle, porque "o Paulo Guedes pagou". "Ele está na minha mão", ironizou Bolsonaro. Bolsonaro disse que quem é casado "sabe da dificuldade para sair com a esposa" e que deu 1 mil dólares para Michelle ir passear num shopping. "Não tenho mais paciência para ficar no shopping. Saquei 1 mil dólares e dei na mão dela", afirmou a jornalistas.
Fonte: Estadão Conteúdo