08/08/2020 14h30
Coronavírus: Brasil acertou em buscar respiradores e leitos
Integrante do Observatório Covid-19 BR, a epidemiologista Maria Amélia Veras avalia que, no primeiro momento, o PaÃs acertou em focar no cuidado com pacientes graves, investindo na busca de respiradores e de leitos de UTI - os últimos aumentaram em 45% durante a pandemia, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). Em seguida, no entanto, o Brasil teria passado a acumular muitos erros pelo caminho.
O coronavÃrus chegou por pessoas de estratos socioeconômicos mais elevados, que haviam viajado para o exterior. Até aà havia relativo sucesso das medidas de combate. A situação saiu completamente do controle quando o vÃrus atingiu as camadas mais vulnerabilizadas da população, diz Maria Amélia. O número de 100 mil mortes é absolutamente emblemático de como o Brasil lidou com a pandemia até agora.
Na visão de Maria Amélia, as ações de saúde esqueceram que a transmissão do vÃrus se dá pela população. Só metade das pessoas aderiu ao isolamento social. Agora, com as pessoas esgotadas de ficar em casa, assistimos a um processo de reabertura desordenado, para o qual não nos preparamos.
Para o fÃsico Silvio Ferreira, da Universidade Federal de Viçosa, há várias circunstâncias a considerar. Enquanto a melhora da prática médica para lidar com pacientes graves ajuda a reduzir as mortes, a reabertura econômica antecipada e a chegada do vÃrus a cidades menores puxam o Ãndice para cima. O futuro da pandemia depende de todos esses fatores, diz Ferreira. Se o relaxamento das restrições acelerar, o número de 200 mil mortes pode ser atingido em pouco tempo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo