15/02/2021 18h20
Corregedoria da PM investiga assassinato de líder indígena no Pará
Isack Tembé, de 24 anos, uma das lideranças do povo Tenetehara, foi morto a tiros em uma fazenda à s margens da Terra IndÃgena do Alto Rio Guamá, municÃpio de Santa Luzia, no nordeste paraense. O crime ocorreu na noite de sexta-feira, 12. A Corregedoria da PolÃcia Militar (PM) instaurou inquérito para apurar a suposta ação de uma milÃcia rural na região, já que os suspeitos pelo crime são policiais militares.
Segundo testemunhas, Isack e outros indÃgenas estavam caçando em uma área de mata quando foram surpreendidos a tiros. Parte do grupo conseguiu correr e se esconder. Isack foi baleado e os próprios agentes de segurança levaram o corpo para a Unidade de Saúde de Capitão Poço, municÃpio vizinho, onde já chegou morto, de acordo com o prontuário médico entregue à famÃlia.
Somente após mais de duas horas a notÃcia sobre a morte de Isack chegou à aldeia. Walber Tembé, também liderança na Terra IndÃgena do Alto Rio Guamá, diz que tentou registrar um boletim de ocorrência na Delegacia de PolÃcia Civil da cidade, mas o prédio estava fechado. Ele aguardou até as 3h40 da madrugada e voltou para a comunidade sem fazer a comunicação da ocorrência.
Às 11h deste sábado, 13, o corpo de Isack foi levado para o Instituto Médico Legal de Castanhal, de onde foi liberado para sepultamento no final da tarde. O médico legista antecipou aos familiares que a vÃtima foi atingida por um disparo frontal de arma de fogo.
O Ministério Público Federal (MPF) foi informado do fato no final da manhã deste sábado e, por meio da unidade da instituição em Paragominas, abriu procedimento para cobrar a investigação do caso e acompanhá-la. O MPF está expedindo ofÃcios com solicitações urgentes de providências e de informações à s PolÃcias Federal, Militar e Civil, e à Fundação Nacional do Ãndio (Funai), para que informem as circunstâncias da morte, o andamento dos procedimentos investigatórios instaurados, se houve a realização de perÃcia no local em que ocorreu o fato e se foi realizada a oitiva das pessoas presentes no local da ocorrência. O MPF também requisitou cópias dos documentos relativos ao caso e à s respostas que serão fornecidas e o prazo para que as respostas sejam apresentadas é de três dias.
A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA e Comissão Pastoral da Terra, protocolaram junto à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) um ofÃcio solicitando o envio de uma força-tarefa para a região onde ocorreu o assassinato.
Segundo o documento, há notÃcias de que o local do homicÃdio não foi preservado e que o corpo de Izack Tembé não havia sido periciado até o final da manhã deste sábado. A entidade também requer providências para garantir a segurança de possÃveis testemunhas e familiares da vÃtima. "Existem relatos de que a área é dominada por grupos armados, milÃcias que ameaçam o povo Tembé, conflito que envolve a invasão do território indÃgena", diz o coordenador da SDDH, Marco Apolo Santana Leão.
Segundo o promotor militar Armando Brasil, a Corregedoria da PM do Pará, irá instaurar inquérito para apurar o fato, uma vez que os militares supostamente estavam usando armas da corporação para fazer segurança particular da fazenda. "Seria uma espécie de milÃcia rural", afirma.
Em nota, a Segup-PA, informa que Policiais Militares foram acionados para averiguar um suposto furto de gado em uma fazenda no municÃpio de Capitão Poço, localizado no nordeste do Estado, na noite de sexta-feira, 12, em uma área escura e de difÃcil acesso. Ao chegar ao local, teriam surpreendidos por disparos, agindo em legÃtima defesa. O grupo fugiu da área. No local, foi encontrado um gado desossado e um revólver calibre 38 ao lado de uma pessoa alvejada. A equipe conduziu o homem até uma unidade de saúde, que não resistiu ao ferimento. A PolÃcia Civil investiga o caso.
Fonte: Estadão Conteúdo