28/05/2016 21h18
Defesa de vítima de estupro no Rio tem reunião com MP
A defesa da jovem de 16 anos vÃtima de estupro coletivo na zona oeste do Rio teve uma reunião na noite deste sábado com representantes da Coordenadoria de Direitos Humanos e das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Segundo o coordenador de Direitos Humanos do MP-RJ, Márcio Mothé, os pleitos apresentados pela advogada EloÃsa Samy Santiago serão encaminhados pelo promotor responsável pelo caso, Márcio Nobre.
Nobre é o responsável pelos casos relacionados à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que cuida do caso de estupro porque filmagens do crime caÃram na internet. Em entrevista ao RJTV, da TV Globo, Nobre ressaltou que o comportamento da vÃtima não tem influencia sobre a apuração da ocorrência de estupro e que a simples divulgação de vÃdeos já configura crime.
Em entrevista ao Estado, Mothé evitou fazer comentários sobre a conduta da polÃcia no caso, embora tenha admitido que a defesa estava indignada "com razão". "O estupro é um crime absurdo, hediondo, com pena muito maior do que a divulgação (dos vÃdeos)", afirmou Mothé, ressaltando que falava em caráter "genérico" e pessoal, não em nome do MP-RJ.
Segundo o procurador, a advogada EloÃsa reclamou que a investigação da DRCI não está dando a devida atenção ao crime de estupro, focando-se com mais atenção na questão da divulgação dos vÃdeos. Mais cedo, ao Estado, EloÃsa afirmou que o delegado Alessandro Thiers, titular da DRCI, está criminalizando a adolescente. "Ele perguntou à vÃtima se ela tinha por hábito participar de sexo em grupo", disse.
Em resposta, a PolÃcia Civil afirmou em nota que "a investigação é conduzida de forma técnica e imparcial, na busca da verdade dos fatos". Segundo a polÃcia, a vÃtima foi perguntada se conhecia outro vÃdeo em que ela apareceria tendo relações sexuais com homens, conforme relatara uma testemunha. A polÃcia também apontou para divergências entre a advogada e a mãe da adolescente.
Segundo EloÃsa, após as perguntas consideradas por ela inadequadas, o depoimento foi interrompido, mas a mãe da adolescente passou a responder aos questionamentos do delegado. A advogada contou que, nesse momento, deixou a sala ao lado da vÃtima, e a mãe depôs separadamente.
A pedido da PolÃcia Civil, a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ) acompanhará as investigações sobre o estupro.
O chefe da PolÃcia Civil, Fernando Veloso, afirmou que representar contra o delegado "faz parte da democracia". "Se a advogada tiver razão, vamos adotar as medidas necessárias", disse Veloso ao RJTV, da TV Globo.
Após a reunião no MP-RJ, EloÃsa disse ao Estado que estava confiante de que teria uma resposta do promotor do caso na segunda-feira. No sábado de manhã, a adolescente deixou o apartamento onde mora, em um condomÃnio de classe média no bairro da Taquara, na zona oeste.
Segundo funcionários do prédio, a jovem foi embora com a mãe, o pai, o irmão mais novo e o filho de 3 anos. A advogada confirmou que a famÃlia deixou o apartamento, mas deu informações sobre a localização da famÃlia.
Fonte: Estadão Conteúdo